domingo, 3 de novembro de 2013

Estive "sei lá onde" e lembrei de você!

Uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim... um chaveiro da Torre Eiffel... um imã de geladeira com o rostinho do Mickey... uma miniatura do Cristo Redentor... ou uma fatídica camiseta com os dizeres: "estive em Fortaleza e lembrei de você"! Ser lembrado por alguém querido enquanto essa pessoa está viajando é claro que é uma delícia, mas... precisa mesmo comprar a tradicional "lembrancinha"? Nas minhas últimas férias pensei bastante a respeito e, nesse fim de semana, encontrar um saquinho com chaveiros que trouxe de Paris me fez bater o martelo sobre o que acho disso! Aproveitei a "deixa" para escrever sobre o assunto!


Meus dois últimos fins de semana foram de folga! Claro que, se eu pudesse, queria estar viajando ou pelo menos passeando aqui por perto mesmo, mas chega uma hora em que não tem mais como adiar as tarefas... e eu tinha MUITO o que fazer aqui em casa. Foram dois fins de semana de arrumações daquelas seríssimas: de tirar TUDO dos armários para me livrar - sem dó - daquilo que é inútil ou está velho ou não serve mais e pode ser usado por outra pessoa. O desapego foi geral! Já tinha feito isso muitas outras vezes, de tempos em tempos tenho esse costume, mas agora me superei e jurei pra mim mesma que não guardo mais nada que não seja absolutamente essencial! Seguindo essa pegada, me vi colocando na sacola de "coisas que não servem pra nada" uma infinidade de chaveiros... imãs de geladeira... miniaturas de tudo quanto é coisa... todo tipo de lembrancinha de viagem que ganhei ou que eu mesma comprei ao viajar pra algum lugar! Ok, muito bacana rever esses objetos, lembrar quem deu, pra onde essa pessoa foi e "lembrou" de mim, etc... mas, sem sentimentalismos, sendo curta e grossa: a maioria dessas coisas só serve para juntar poeira e ocupar espaço!!! Hahahahahah, vou ser (de novo) crucificada por esse post, tô até vendo!

Bom, vamos aos fatos. Acho que, conforme o tempo passa, a gente começa a ser mais seletivo... mais consciente daquilo que é ou não é importante na nossa vida. Acredito que isso seja uma etapa importante do amadurecimento, sei lá, enxergo assim! Chega uma hora em que você percebe que menos é mais, que não precisa ter ou guardar coisas por puro apego! Posso estar parecendo "dura" demais, insensível demais... afinal, uma lembrancinha é um "carinho" de quem viajou e fez questão de trazer algo pra você, não importa se não vai ter utilidade, é esse o raciocíno do senso comum, creio eu. Agora, tirando essa parte "fofa" da história, a real mesmo é que pouco do que se ganha de lembrança realmente vai ser bem aproveitado, salvo algumas exceções!!! Pensei bastante nisso durante minhas últimas férias quando, ao chegar aos pés da Torre Eiffel, me senti em pleno Pelourinho, em Salvador! Do mesmo jeito que, na Bahia, os insistentes vendedores de fitinha de Nosso Senhor do Bonfim se multiplicam, surgem do nada, em Paris aparecem os vendedores de chaveirinhos. Com a diferença de que o penduricalho de metal com a miniatura da Torre Eiffel é vendido em euro né! Agora me diz... como não comprar??? As pessoas esperam SEMPRE uma lembrancinha sua quando você viaja, infelizmente é cultural, difícil evitar.

Eu sofro um pouquinho com isso, não vou negar... nessa minha arrumação de armários, quando encontrei um saquinho com chaveirinhos que "sobraram", que acabei não dando pra ninguém, lembrei exatamente do pensamento que eu tive enquanto estava lá, em Paris. Comprei as lembrancinhas porque tinha que comprar, era esperado que eu comprasse... mas esse tipo de lembrança acaba sendo tão "impessoal", tipo, vai lá, compra um punhado de chaveiro - ou meia dúzia de miniaturas do cartão postal do lugar para onde você foi - e distribui para os conhecidos na volta! Acho isso péssimo, fica uma coisa meio que "sem alma" (eu odeio coisas sem alma rs)! Acho que uma coisa é viajar e ver um objeto que é simplesmente "a cara" de alguém que você conhece e comprar porque REALMENTE lembrou dela! Não comprar uma lembrança porque se vê praticamente obrigado de lembrar de todo mundo quando vai viajar! Afff ok, podem me chamar de insensível e me apedrejar agora!

Para tentar me "redimir", tenho alguns exemplos de "lembranças" que fogem a essa regra e que são sim muito bacanas! Meu irmão morou seis meses na Dinamarca e durante um mês viajou pela Europa antes de voltar para o Brasil. Esteve em lugares incríveis, inusitados e em outros bem "óbvios", como Paris mesmo. Ele bem que poderia ter comprado um punhado de chaveiros de qualquer um desses lugares e ter trazido pra gente, só pra constar! Que nada, foi tão querido que trouxe uma correntinha com significado especial e um sapatinho de crochê para minha baby, tudo o que ele trouxe foi "personalizado", pensado na pessoa! Outro exemplo: tenho um amigo que coleciona "pins" do Hard Rock Café. Ele mora na Colômbia! Mesmo assim, onde eu vou, se tem um Hard Rock, compro um pin e mando pelo correio para a coleção dele! Tipo, é uma "lembrança" real, eu lembro especificamente dele porque estou num lugar que me faz lembrar dele! Acho que isso sim tem valor!

Mais exemplos talvez meio bobos para quem se importa com "coisas" materiais, mas que para mim foram especiais nessa minha viagem pra Europa. Em tempos de redes sociais, quando é possível dividir as experiências de uma viagem em tempo real, postei no Facebook que tudo o que eu via ou vivia me fazia lembrar alguém querido! Tá feio o print da página (na verdade, foto da tela) mas foi isso:



Foi muito bacana, quando eu voltei, ouvir do Rodolfo que eu citei aí, que ele adorou ter sido lembrado! Fiquei feliz por ele ter ficado feliz! No lugar dele eu ficaria também, como já fiquei tantas vezes com amigos que estiveram em algum lugar que eu gostaria de estar ou já estive e também fui lembrada em algum post! Acho que isso sim é "lembrança" de viagem, isso vale demais, muito mais do que um chaveiro da Torre Eiffel! Teve uma outra situação na Europa: vi uma latinha de Coca-Cola com o nome da filha de uma amiga. Ok, normal se ela chamasse "Maria", mas é um nome pouco comum aqui no Brasil e por isso com certeza a menina nunca tinha encontrado uma latinha com o nome dela - Nadine. Nem sou próxima dessa amiga, mesmo assim postei a foto da latinha pra ela ver e voltei no mesmo supermercado depois para comprar e trazer para ela! Isso é lembrança de verdade, na minha opinião (se alguém achar uma lata escrito "Lenina" me traz pelamordedeus hahahaha)!

Enfim, resumo da ópera: nessas minhas férias na Europa eu continuava incomodada em trazer chaveirinhos de Paris para quem eu amo, não tínhamos tempo (e muito menos dinheiro!) para comprar algo personalizado para cada pessoa especial... então veio a solução na última parada da viagem! Da Suíça, trouxemos chocolates do outlet da Lindt! Sim, pra mim chocolate suíço tem alma hahahahah bem mais do que chaveiros ou imãs de geladeira, pelo menos! E o melhor: você come, vai à êxtase (melhor chocolate ever) e pronto, não precisa ficar guardando nos armários para - num belo dia de faxina - dar um jeito de se desfazer como acontece com as miniaturas, as camisetas, os chaveiros e afins! Uma pena que nem todos os destinos têm um chocolate como marca do lugar... se tivessem, meus problemas teriam acabado!!!!!!!

Só para encerrar, nada contra quem compra lembrancinhas - eu mesma compro, fazer o que? rs - e nem contra quem curte ou faz questão de lembrancinhas! Essa foi só uma reflexão de quem aprendeu (a duras penas) o que realmente importa nessa vida! Não é chaveiro! Não é presente! Não é coisa alguma que o dinheiro possa comprar!!! Se você for viajar e quiser me trazer uma "lembrança", traga suas experiências de viagem para dividir comigo! Com certeza elas não vão ficar esquecidas num armário qualquer!!!

Beijos e até a próxima!