domingo, 5 de novembro de 2017

Projeto verão... "projeto verão"... projeto verão?

Aquele fim de feriado prolongado do início de novembro, quando a gente já sente o "cheirinho" do verão no ar, e já tem muita gente pegando praia ou pensando em aproveitar de alguma forma o calor. Como eu - é claro - não viajei no feriado, vim aqui falar de projeto verão, na verdade sobre três deles: o projeto verão possível, o "projeto verão" necessário - propositalmente entre aspas - e o projeto verão dos sonhos, que vai ficar pra uma outra encarnação (se isso existir, é claro). Banalidades só pra não perder o costume de escrever um pouquinho e refletir um poucão e quem sabe, talvez, por que não, despertar alguma reflexão tanto em quem pensa parecido comigo quanto em quem discorda completamente. Eu mesma não tenho certeza se concordo comigo ou não, tem dia que sim, tem dia que não, mas esses dias tô aí pensando nesses "projetos" então bora escrever. 


Raramente uso "fotos frias" para ilustrar o que escrevo, geralmente uso fotos tiradas por mim e não fotos como essa aí acima, que você encontra similares aos montes ao digitar "projeto verão" no Google. Aliás, nem precisa ir a nenhum site de busca, uma olhada rápida nas suas redes sociais e você encontra notícias a respeito ou foto de algum amigo (a) mostrando que já está com tudo em cima para o verão. Eu já perdi a conta de quantas vezes entrei nesse tipo de "projeto verão", não me recordo de algum momento da vida em que eu não estivesse de dieta ou pensando que precisava de dieta ou sonhando em conseguir seguir a tal dieta... é como se eu já tivesse nascido de dieta.

Pois bem, atualmente não estou no "projeto verão". Não nesse "projeto verão" muito bem ilustrado pela foto acima. Não é que eu ache que eu não precise, pelo contrário. Infelizmente ainda sou - e quem não é? - da geração que ensinou a mulher a se envergonhar do próprio corpo, que cresceu ouvindo que estava gorda e que enraizou isso de tal forma na própria alma que não há o que tire a ideia do consciente, do inconsciente, do subconsciente e de todos os níveis de consciência que possam existir. Ainda assim, não. Não estou no "projeto verão", termo que estou usando entre aspas e já explico o porquê.

Comecei aqui em casa um projeto verão REAL (sem aspas). Meu projeto verão possível! Sim, encontrei - enfim - um projeto verão possível pra minha vida e do qual me orgulho demais! Ele é muito simples e é por isso que estou apaixonada por ele. O simples tem me encantado! Meu projeto verão consiste em colocar chuveirão e espreguiçadeira aqui no quintal de casa. Fim. Só isso mesmo! Nada mais. Aí neste fim de semana veio o montador do deck onde vai ficar o chuveirão pra instalar a estrutura de madeira e quando vi meu projeto verão possível começar a tomar forma fiquei muito feliz! Por enquanto só tem o deck, ainda faltam o chuveirão e as espreguiçadeiras, mas finalmente algum projeto verão nessa minha vida vai dar certo!

Besteira, né? Ok, no fundo eu também acho... até porque já morei em casa com piscina e tudo o que se tem direito... mas como diz um quadro que ganhei da minha prima e que está pendurado também no meu quintal: "sempre simples, mas sempre com significado". E esse projeto verão tem significado, tem essência, tem razão de ser. E é aí que entra o porquê daquele outro "projeto verão" ter se tornado um termo entre aspas pra mim. Ele é vazio. Ele é raso. Ele não deveria ter importância porque o ideal de um corpo magro ou sarado ou seja lá o que for é tão... pequeno. Quanto mais me afasto da valorização da aparência (e me afastei drasticamente disso nos últimos anos, em vários sentidos), mais isso se apequena.

Aí alguém vai dizer: mas Lenina, vc fala isso mas vive de dieta, vc fala isso mas vive malhando pra tentar perder peso, vive reclamando do seu corpo. Sim, continuo! Primeiro porque eu sou a contradição em pessoa, fato! Em segundo lugar porque, como disse alguns parágrafos acima, isso está enraizado em mim, infelizmente, lamentavelmente. Juro que boa parte da terapia que sempre fiz na vida foi pra cuidar disso. A diferença é que antes eu meio que "me orgulhava" por estar num "projeto verão". Hoje eu tenho vergonha de admitir que - sim - continuo tentando emagrecer uns quilos aí. Isso me soa tão, mas tão superficial diante de tudo o que cada um guarda dentro de si próprio e diante de todas as questões que essa vida nos apresenta, que a palavra vergonha é mesmo a que melhor explica como encaro hoje em dia o "projeto verão" (ou qualquer tentativa de seguir padrões físicos seja no verão, no inverno ou em qualquer estação do ano).

Aí é por isso que tô chamando esse "projeto verão" aí (entre aspas) de "projeto verão" necessário. Porque - sim - é necessário estar bem consigo mesmo, é necessário cuidar da saúde... mas sem essa exigência e exibicionismo dos "projetos verão" das fotos do Google ou da nossa timeline. É assim que tenho pensado ultimamente, torço pra continuar pensando assim (porque eu mudo mesmo toda hora hahahaha) e torço mais ainda pra conseguir ser cada vez mais coerente com o meu pensar x o meu agir. Porque essa é a parte mais difícil, né? Afinal, tô aqui fazendo esse discurso e pensando que amanhã é segunda-feira, dia de recomeçar a dieta. Daí a minha alegria por ter um projeto verão possível, que tira o foco dessas outras idealizações tão mesquinhas e desimportantes. 

Para terminar, já que o assunto é idealizar... sonhar... tem também o projeto verão dos sonhos, que entra pra minha lista de projetos verão e que seria o mais incrível de se realizar! Meu projeto verão dos sonhos seria simplesmente... poder viajar no verão! Sabe férias de verão, igual tem em alguns países e todo mundo realmente pára de trabalhar??? QUE SONHO! Como esse projeto verão dos sonhos está muitíssimo mais longe de se concretizar do que o "projeto verão" (aquele de emagrecer), fico então com meu projeto verão possível com chuveirão, espreguiçadeira e uma cerveja gelada do lado ("projeto verão" do corpão vai pro saco mesmo). É o que teremos pra esse verão!

Beijos e boa semana - desta vez sem feriado - pra todos nós!

domingo, 15 de outubro de 2017

Vai com quem?

Vou sozinha, uai! Essa tem sido, há algum tempo, a resposta pra pergunta que dá título a esse post. Hoje estou com vontade de escrever e resolvi falar sobre um "drama" (entre aspas porque na real é uma bobeira) que eu e muitas mulheres enfrentamos em pleno século XXI... o fato de a sociedade não aceitar que uma mulher pode estar sozinha, viajar sozinha, ir pra balada sozinha, passar o fim de semana inteiro sozinha POR OPÇÃO! A parte os riscos a que uma mulher, estando sozinha, infelizmente está sujeita, qual o grande problema em fazer quase tudo sozinha? Pra mim não é problema, não! É solução! Textinho pra gente pensar bem antes de falar pra uma mulher: "ah, mas logo você encontra alguém"... e também para eu me preparar pra minha próxima viagem que - sim - vai ser sozinha!


A foto acima é de duas semanas atrás, voltando de trem de São Paulo, onde fui ver uma exposição e depois peguei um cinema... sozinha. O vagão estava vazio porque já era bem tarde, então eu estava sozinha em todos os sentidos da palavra "sozinha", por isso resolvi fotografar esse momento delícia. Eu adoro estar sozinha! Normal, né? Super normal. Só que não! Pra maioria das pessoas parece que, estar sozinho, é sinônimo de fracasso. Digo isso pelas coisas que ouço há pouco mais de um ano e meio, quando decidi me separar. Muita - mas muita gente mesmo - incluindo meu ex-marido, me disse: aposto que você tem outra pessoa, ninguém decide se separar pra ficar sozinho. O tempo mostrou que todos que me disseram - ou pensaram - isso estavam errados. Ficar sozinho pode ser sim uma escolha, por que não? Eis aí a pergunta que não quer calar.

Poderia escrever um textão sobre a sociedade patriarcal que pressupõe que toda mulher que está sozinha é porque foi rejeitada, mas vou poupar meus leitores já que este é um blog de viagem! E aí esbarramos em mais um entrave que é "mulheres que viajam sozinhas". Thanks God que, hoje, isso tem se tornado cada vez mais comum. Pipocam na mídia e nas redes sociais histórias de mulheres que caem sozinhas na estrada... mas sempre que leio esses relatos vejo que elas passam por muitas das situações e enfrentam muitos dos julgamentos aos quais eu - na minha pequenez e insignificância - também sou submetida. "Vai sozinha??? Você é louca???". Perdi a conta de quantas vezes já ouvi isso.

Sim, sou louca, obrigada. Ser "louca" pra mim virou elogio desde a primeira viagem internacional que fiz sozinha, ainda casada. Eu estava grávida de seis meses e fui sozinha pra Miami fazer meu enxoval. O relato dessa viagem está aqui. Foi incrível! Primeiro porque o universo subestima demais a gestante. É como se uma mulher grávida fosse uma mulher doente, incapaz. Isso me irritou MUITO na gravidez. Segundo porque viajar sozinha - num mundo em que a capacidade de uma mulher fazer absolutamente TUDO sem um homem por perto é frequentemente questionada - é como poder provar pra si mesma que o mundo está errado! Sim, você é capaz de tudo, não precisa de homem nem pra carregar as malas (e olha que eu voltei de Miami com MUITAS malas)!

Depois dessa experiência de arrancar olhares de reprovação por estar viajando grávida AND sozinha, recentemente vivenciei também o julgamento sem fim por viajar sozinha com a minha filha de 3 anos. Eu, ela e mais ninguém. Fomos para Bariloche, na Argentina, o relato está aqui. Num destino onde quase a totalidade dos turistas é formada por brasileiros, em sua maioria famílias tradicionais - com pai, mãe e filhos - ouvi muitas vezes a pergunta: mas você está sozinha com ela? Quem não perguntava, naturalmente procurava o "homem" que "faltava" ali do nosso lado. Imagino que, com os homens separados que viajam sozinhos com seus filhos, isso também aconteça, das pessoas perguntarem: cadê a mãe? Ainda assim não tenho dúvidas de que uma mulher dando conta dos perrengues de uma viagem sozinha com uma criança ainda desperte mais estranheza. 

"Estranheza", aliás, acho que é a palavra que define bem essa vida solitária. As pessoas não se conformam que você possa estar sozinha e feliz! No Ano Novo fui para o Rio de Janeiro sozinha. No Carnaval, idem. Sabia que haveria gente conhecida por lá, nos encontramos, fizemos coisas juntos, mas essencialmente eu estava sozinha. Lembro de, Carnaval, todo mundo andar em bandos pelas ruas e estações do metrô e eu - toda fantasiada - despertava mesmo essa "estranheza" por estar sozinha indo de um lado para o outro indo encontrar os amigos.

Amigos. Outra questão que mulheres "sozinhas" precisam lidar. Nessa fase dos trinta e tantos anos, a maioria dos amigos estão casados... e uma mulher sem um par vira um "problema". Entre as pessoas que estão num relacionamento sério, as "amigas" passam a te ver como uma ameaça. Afinal, você está sozinha, então É CERTEZA que você está querendo um homem e É CLARO que você vai dar em cima do homem dela. Nossa, que preguiça sem fim! Aí, entre os homens - pasmem - a mulher sozinha passa também a ser uma ameaça porque muitos - muitos mesmo! - julgam que você vai fazer a cabeça das outras mulheres para que elas também se separem e caiam na gandaia com você. É tanta preguiça junta que nem sei dizer. O fato é que estar sozinha também seleciona os amigos. Poucos ficam, aliás, pouquíssimos. Só os muitíssimo verdadeiros.

Bom, então cá estamos: poucos amigos e sem um homem ao lado. Não importa se essa é sua escolha, sua opção mais genuína. Você é vista como fracassada. Não esqueço que, há uns meses atrás, namorei um rapaz. Quando as pessoas souberam disso, o que eu mais ouvia era: "estou tãaao feliz por você estar com alguém"! "Que bom que finalmente você está namorando". "Que ótimo que você não está mais sozinha". Gente, estar com alguém é ótimo sim, mas antes de namorar eu também estava felicíssima sozinha! Mania de todo mundo achar que, se você está só, você está infeliz! Não! Ao contrário! Estar sozinha por opção - pra mim - é a maior demonstração de que você enfim atingiu um nível acima do amor! O amor próprio! A felicidade em estar consigo mesmo, sem depender de um terceiro pra estar feliz, pra mim é o apogeu. Porque fomos ensinadas, desde pequenas, a esperar um príncipe. E conquistar a auto-suficiência da felicidade é uma quebra de paradigmas que incomoda muita gente.

Por falar em incômodo, outra coisa que quem escolheu ficar sozinho tem que enfrentar são os infindáveis comentários imediatamente que seus ex-maridos ou ex-namorados ou ex-peguetes se envolvem com alguém. "Você viu, o fulano já está namorando com outra". "Olha a foto que ele postou com a namorada nova". "Olha onde eles foram". "Olha como ela é bonita". Que bom pra eles, né gente? Ou não! Nunca sabemos a real dos relacionamentos. Já está com alguém porque não consegue ficar bem sozinho? Ou pra ser aceito pela sociedade (sim, quem tem alguém é muito mais socialmente aceito)? Pra provar algo pra si mesmo? Tomara que não, tomara que seja amor genuíno porque amar alguém e ser amado é maravilhoso!

Opa que aí chegamos em outro ponto: das pessoas acharem que você está sozinho porque foi mal amado ou porque foi infeliz no amor ou porque nunca amou de verdade. Eu fui muito feliz no amor, já me senti muito amada, mais de um vez inclusive e acredito verdadeiramente no amor! Só não acredito no amor eterno - aquele que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". Acho que amor acaba, como tudo na vida. Muda, se transforma. Admitir isso foi, pra mim, um grande passo nessa viagem em busca do amor mais importante que existe, que é amar a si mesmo. Amar tanto a si mesmo a ponto de ter vontade de ficar sozinho. Eu estou vivendo apaixonadamente essa vontade que, sim, pode ser momentânea. É bom demais ter alguém e acho sim que um dia vou ter outra (s)  pessoa (s) de novo, aliás, eu tenho certeza disso, mas não tenho pressa.

Por enquanto, desfruto a delícia da minha própria companhia e estou planejando - comigo mesma - mais uma viagem sozinha, pro ano que vem. Mais uma pra quando me perguntarem: "Vai com quem"? Eu responder: "Vou sozinha, uai"! Não tem melhor companhia, não! Ah, mas se quiserem me convidar pra viajar, passear, tomar uma... aceito também!

Até mais! 😉




sábado, 30 de setembro de 2017

O gnomo do sr. Poulain

Moscou, Nova York, Atenas, Istambul e muito mais. Que inveja do gnomo do sr. Poulain, pai de Amélie Poulain, do aclamado filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"! Foi ele que me levou hoje até uma exposição fofinha sobre o longa em São Paulo e agora, que cheguei em casa, resolvi escrever sobre por que esse anão de jardim me tirou de casa nesse sábado chuvoso.



"São tempos duros para os sonhadores"... e como são, Amélie Poulain! A frase que mais amo do filme que dispensa apresentações aparece em muitas das telas da mostra "Desvendando o Universo de Amélie Poulain", que está no hall de entrada do Shopping Frei Caneca, na capital. Uma exposição pequenininha, que eu mal sabia do que se tratava, mas que só pelo tema já me chamou a atenção. Na verdade mesmo, depois que eu passei meu sagrado café preto ao acordar, neste sábado, comecei a procurar na internet algum cinema que ainda estivesse exibindo "Como Nossos Pais", que infelizmente não consegui assistir a tempo. Depois de uma busca rápida, vi que já não está mais em cartaz. Sendo assim, enchi de novo minha xícara de café, deitei na rede do meu quintal, olhei para aquele tempo cinza que fazia hoje cedo e pensei: quer saber, não tem o filme que eu queria, eu vou é ficar em casa. Foi quando a exposição de Amélie Poulain passou pela timeline do meu Facebook e eu logo me lembrei do "gnomo inspiração".

Para quem não assistiu - existe alguém no mundo que não assistiu a essa lindeza de filme? - o tal gnomo é uma estátua que faz parte do jardim do sr. Poulain, pai de Amélie. Depois da morte da esposa, ele mal sai de casa. Passa os dias cuidando do jardim onde criou uma espécie de mausoléu para colocar as cinzas da mulher. Certo dia, o anão de jardim some e o sr. Poulain passa a receber, pelo correio, fotos do tal gnomo em várias partes do mundo. O anão estava viajando! Na verdade isso não passou de uma ideia da Amélie para que o pai se desse conta de que até o gnomo podia viajar, sair por aí, aproveitar a vida! Por que ele não? Inspirado nisso, o sr. Poulain enfim deixa o jardim de lado e coloca o pé na estrada.

Quando lembrei da figura do gnomo e do quanto ele é inspirador, logo olhei para o meu jardim: grama alta, cheio de "maria sem vergonha" tomando conta de tudo, só esperando a visita do jardineiro porque eu não tenho - e nem tenho muita vontade de ter - o mesmo talento do Sr. Poulain pra jardinagem. Já a preguiça de sair de casa muita vezes empata com a do pai da Amelie, deve ser porque estou quase da idade dele 😂😂😂. Enfim, vi que estava rolando a exposição, também estava com vontade de ir ao cinema, de ir pra SP, então fiz como faço tantas vezes: procurei algum filme que também me interessasse, comprei o ingresso pro cinema pela internet para já ter dois programinhas na "cidade grande" ao mesmo tempo e fui. 

São Paulo é muito perto da minha cidade, Mogi das Cruzes, são cerca de 50 quilômetros apenas. Esse é um privilégio sem fim que não me conformo que tanta, tanta, tanta gente daqui não aproveite. Não precisa se planejar muito, dá pra fazer como fiz hoje: acordar, pesquisar e decidir. São Paulo é uma megalópole, tem de tudo, é incrível, mas pouca gente aproveita. "Ah mas é tudo caro". Mentira. Tem de tudo mesmo e pra todos os bolsos, basta não querer dar uma de sr. Poulain e só ficar em casa! Eu amo São Paulo. Talvez me irritasse se morasse lá, mas como vou só vez ou outra a trabalho ou para algum curso / palestra / evento profissional, encaro de boa os perrengues que toda cidade grande tem se for para me divertir. E para isso faço questão de ir pra lá sempre que posso.

Aí o choque: se é pra ir pra cinema, exposição, essas coisas ali na região da Avenida Paulista, gosto de ir de trem e metrô! Sim, a prova de que dá pra todo mundo ir da minha cidade conferir uma exposição de graça em SP quando der na telha é que você gasta menos de R$ 4,00 pra chegar lá. Falei em "choque" porque as pessoas do meu meio de convivência muitas vezes não se conformam por eu fazer isso, como se fosse um sacrifício absurdo andar de trenzão. Por que não ir de carro? Muitas vezes eu vou sim, mas se é pra ir pra lugar onde tem metrô próximo eu deixo o carro num estacionamento baratex que tem perto do Terminal Tietê e dali em diante sigo de metrô. Muito mais simples do que se enfiar de carro em lugares com muito trânsito e com estacionamento a preços astronômicos!

Hoje fui de trem e metrô. Na correria da vida, tenho pouco tempo pra ler por mais de uma hora seguida (sem dormir de cansaço no sofá) e se tem uma coisa que eu adoro é ler no trem. Coisa besta para algumas pessoas, meio "suburbana" talvez... mas eu adoro! Assim como observar as pessoas no trem. Perceber o que fazem, se estão apressadas, será que estão indo pro trabalho? Ou indo encontrar com alguém? Gosto de observar se lêem também ou se estão ouvindo música ou jogando no celular ou só olhando pela janela. Tem gente de todo tipo no trem e no metrô, isso é enriquecedor. Quem se espanta que eu goste de ir ocasionalmente de transporte público pra SP talvez não curta esse contato com a pluralidade da vida, das pessoas, dos lugares. Sou meio "Amélie" nesse sentido. Gosto de observar e imaginar... tanto que às vezes o livro que levo acaba ficando no colo e eu lá viajando na galera do trenzão.

Outra coisa que adoro em São Paulo é o fato de você poder ser quem você quiser, já que você é só mais um na multidão, ninguém dá a mínima para o que ou quem você é. Posso ir de tênis que ninguém vai reparar. Posso andar em qualquer lugar sem maquiagem que ninguém vai se dar conta. As pessoas vão conversar comigo aqui e ali por que querem, sem nenhuma pretensão de saber quem é minha família, qual meu sobrenome, por que eu não fui na super festa badalada da coluna social, etc, etc, etc. Mais um motivo para, sempre que possível, fazer esse rolê até São Paulo. O de hoje foi bem "paulistano" com direito a chuvinha que deixa São Paulo com a típica cara de "terra da garoa".

Por sorte, quando desci no metrô Consolação, não estava chovendo. Fui a pé de lá até o Shopping Frei Caneca, nunca tinha entrado naquele shopping, mas é uma região que gosto muito dos arredores. A exposição estava logo na entrada e, a princípio, dei uma desanimada porque ela é super pequenininha... mas aí olhando painel a painel, cada frase de Amélie Poulain, cada detalhe do filme que é tão lindo, achei ótimo relembrar tudo e reviver um pouco daquilo que a personagem nos diz em sua história. Tinha esquecido, por exemplo, da frase "Quando chega a hora, você precisa saltar sem hesitar". Isso é tão verdade! A mostra é fofa. Tem um saco de cereais daqueles que Amélie gostava de mexer, mais uma das coisas simples que ela nos lembra o quanto é prazeroso. Tem fotos do gnomo, tem as bolinhas de gude do sr. Dominique, é uma graça. Não vale uma ida a SP só pra isso, mas para quem estiver por aquelas bandas, a exposição vai até o dia 15 de outubro. Bom, depois da exposição eu ainda tinha o cinema (e cafés e passeio)!

Comprei ingresso pra sessão em outro shopping da região da Paulista, o Pátio Paulista. Quando saí do Frei Caneca pra lá, porém, estava chovendo bastante, mas aí tem o Uber que é um tudo na vida da gente e paguei R$ 9,00 pra ir de um shopping para o outro. Assisti "Mother" que eu pouco sabia do que falava, mas vi o trailer e gostei, suspense é meu gênero preferido e ainda tinha o Javier Barden. Que surpresa ao descobrir que se tratava de um filme super intenso, provocativo, perturbador! Jeniffer Lawrence está espetacular e o filme é muito reflexivo para quem está aberto aos questionamentos meio apocalípticos do longa. Acho que Amélie iria gostar! Iria assistir com aquele olhão arregalado que ela abre no cinema!

Também acredito que Amélie iria gostar de andar de trem... mesmo que fosse aqui, na minha quebrada. Cheguei tarde em casa, mas cheguei tão revigorada pela energia de São Paulo e pela inspiração por relembrar o gnomo viajante que até vim aqui escrever antes de dormir. Enquanto não tenho a sorte que o anão do sr. Poulain tem por conhecer tantos lugares ao redor do mundo, fico feliz por estar tão pertinho da maior cidade do país e por dar minhas fugidinhas pra lá de vez em quando. Ah, que o gnomo saiba que eu também já estive em Montmartre, Paris, no Café Deux Moulins, declarando minha admiração por Amélie Poulain! Quem sabe um dia eu volte para lá e para tantos outros cenários de filmes que sonho em conhecer!

😉 😊 💛






domingo, 24 de setembro de 2017

Minha estreia no Rock in Rio!

Nunca fui mega fã de nenhuma banda. Meu máximo de devoção por um grupo musical foi quando - aos 13 anos - assisti em VHS o show do Queen no Rock in Rio de 1985. Amei, pirei, apaixonei pelo Freddie, comprei CD's da banda na época, mas nada muito "grave". De resto curtia o que tocava na rádio, mas nunca soube direito qual cantor cantava o que ou quem era o vocalista dessa ou daquela banda (aliás, não sei até hoje!). Talvez por isso tenha ido em poucos shows musicais na vida e foi só nos últimos anos me deu um "comichão" pra ir no Rock in Rio. Não pelo "rock" em sim, mas pela história e pela vibe do festival. Então neste ano #eufui! Conto um pouquinho neste post!


Ainda em êxtase pós Rock in Rio, nem sei por onde começo a escrever. Fazendo aqui uma "retrospectiva" mental, acho que tem algumas coisas na vida que eu sempre pensei: "ah, Rock in Rio? Legal, tem a cada dois anos, qualquer dia eu vou". Só que aí a gente vai ficando velha, tiazona, passada do ponto... e algumas urgências começam a surgir! Minha urgência de Rock in Rio chegou em 2015, quando minha amiga Sandra foi e voltou me contando como tinha sido. Desde então estava decidida de que eu iria neste ano, não dava mais pra esperar!

Ao contrário de quem fica no aguardo do line-up pra saber o dia em que a banda preferida vai tocar, eu só esperava a abertura da venda de ingressos para garantir convite para qualquer data. Isso porque eu sabia que - em qualquer dia que eu fosse - encontraria o que estava indo lá conferir: música boa, animação e um mundo de atrações bacanas. Como a maioria das coisas que faço ultimamente na vida, eu iria sozinha, mas minha best friend forever Mariana - super fã do Bon Jovi - contou que havia comprado ingresso para o dia em que ele iria tocar. Melhor impossível! Não pensei duas vezes e comprei também! Já que não sou mega fã de ninguém, ele sem dúvidas era aquele que tinha mais músicas que eu saberia cantar.

Hoje em dia é muito fácil se programar para o Rock in Rio. Site, redes sociais, aplicativo, fui acompanhando tudo por esses canais. Mesmo assim, pra variar, a vida de adulta me deixou extremamente atribulada para fazer um bom "roteiro" pré festival. Então me preocupei apenas em comprar passagem aérea com bastante antecedência porque sabia que teria pouco tempo pra ficar no RJ e depois de velha tenho me dado ao luxo de evitar estrada. Consegui uma tarifa melzinho na chupeta pela GOL indo na quarta-feira a noite e voltando no sábado de manhã (meu ingresso para o Rock in Rio foi o de sexta-feira). Hotel eu simplesmente não pesquisei, fiz reserva no mesmo que minha amiga e o marido tinham reservado já que - segundo eles - era bem perto do Rock in Rio. Até cogitei algum passeio na quinta-feira, que seria meu único dia livre na cidade maravilhosa, mas vários fatores me fizeram desistir. Entre eles, o triste cenário de violência no Rio com a guerra deflagrada na Rocinha, que fechou acessos e deixou a cidade em um clima ainda maior de tensão.

Cheguei na quarta a noite e fui direto pra casa da minha prima que - de novo! - me recebeu por uma noite na casa dela. Daphne e Jonathan moram em Botafogo não só abriram as portas para mim como me deram um cartão de integração do transporte para eu me locomover. Lindos, fofos, queridos e ótimos companheiros para drinks sempre que chego lá! Google Maps me salvou e me fez chegar no meu hotel pegando metrô até o Jardim Oceânico e o BRT até Rio 2, perto de Jacarapeguá. Descobri que "Jacarepaguá é longe pra caramba" mesmo, como diz a música! Assim que me dei conta disso abortei inclusive a ideia de pegar praia na quinta, fiquei na piscina do hotel. Sempre penso assim: vai pro Rio no Rock in Rio? Foque no Rock! Vai pro Rio no Carnaval? Foque no Carnaval! Isso porque a cidade fica muvucada por conta desses eventos e qualquer tentativa de fazer turismo pode ser desgastante.

Sosseguei meu facho no eSuítes Verano Stay, um hotel muito bom que tem tarifa um pouco mais salgada do que estou normalmente acostumada a pagar. Sempre escolho hoteis mega simples por motivos óbvios de pobreza e porque nunca páro em hotel. Dessa vez foi diferente, hotel muito bom que só coube no bolso porque houve um acordo do Rock in Rio com hotéis próximos para garantir tarifas bacanas para o público do festival. Esse era um dos hotéis credenciados. Recomendo muito o Verano Stay para quem vai para o Rock in Rio, é na mesma avenida da Cidade do Rock, a menos de 10 minutos a pé.


O Festival!

Companheiros de Rock in Rio!
Os portões da Cidade do Rock abriram às 14 horas. Às 14 horas eu, Mari e Felipe (os melhores companheiros de Rock in Rio EVER, já que também queriam aproveitar simplesmente TUDO!). Fomos a pé do hotel e achei bem tranquilo aquele horário pra entrar, realmente muita gente chega mais tarde pra poder aguentar a maratona de shows... não nós que somos highlanders e seguramos do início ao fim! Claro que isso só foi possível com alguns cuidados como ter ido com roupas confortáveis, tênis... como se hidratar bastante... e não beber além da conta! Uma dica que li em muitos lugares e foi inútil: levar canga pra sentar ou deitar no chão e descansar. Talvez quando o Rock in Rio era em outros lugares isso fosse necessário, na Cidade do Rock a grama é sintética, super limpa, dá pra sentar direto sem precisar de canga fazendo volume na bolsa!

Um milhão de fotos antes de entrar

Fotos "oficiais" na fachada garantidas, a primeira parada foi no quiosque da Heineken, que também era vendida por "ambulantes" credenciados que - no início do festival - estavam por todos os lugares. Depois do início dos shows no palco Mundo eles tornaram-se raros e sempre eram seguidos por filas imensas! Com o primeiro chopp garantido, paramos no palco onde teria uma apresentação de street dance, mas o show estava atrasado, então só tiramos uma foto por lá pra gente "ganhar asas" e procurar outras atrações que já tivessem começado (sim, quem chega cedo passa por essas, das atrações ainda não terem começado!).

Muitos cenários para boas fotos!
Felipe correu pra roda-gigante para tentar fazer uma reserva pra nós subirmos mais tarde. A fila já era imensa! Por nada que eu perderia tempo em fila de roda-gigante em pleno Rock in Rio, pra isso tem o Hopi Hari na vida né? Hahahahah! Fomos pra loja oficial do Rock in Rio, não resisti e comprei uma camiseta! A loja estava lotada, mas ao contrário da fila da roda-gigante, ali fluiu rápido. Rápidas também eram filas para retirar brindes dos patrocinadores, mas era outro tipo de fila que não me animava a encarar, elas eram infinitamente imensas. Resolvemos andar por toda Cidade do Rock pra ver onde valia a pena investir nosso tempo primeiro.

O palco que mais curtimos antes dos shows principais

A vontade era parar em tudo, tudo é lindo e atrativo, mas os palcos com atrações musicais que já estavam rolando eram sem dúvidas prioridade. Paramos e ficamos no Rock District que estava simplesmente sensacional com uma banda tocando clássicos do rock. Assistimos o show inteiro, que seguiu com uma apresentação do grupo de dança do Rock in Rio e com um trio de violinistas que também fez um espetáculo sensacional, o nome era Tritony Trio. Só saímos dali porque já estávamos no Rock District há bastante tempo e ainda havia muito a conhecer. Passamos pelo hall da fama com os principais nomes que já passaram pelo Rock in Rio e fomos para a única fila que encaramos. Não lembro quem era o patrocinador, mas o espaço era uma cabine chamada Rock in Rio Sensations, onde projeções gigantes de vários shows eram feitas nas paredes e o clima ía mudando conforme a música, com vento, chuva, luzes, etc. Muito bem feito!



De lá fomos para o Gourmet Square, escolhemos o que parecia mais bacana (ou mais gordo, pra aguentarmos não comer até o final dos shows no palco Mundo). Era algo como "Ogro's burguer" que no fim das contas nada mais era do que uma carne maluca no pão de brioche hahahah estava bom, mas nada de mais. De dentro do Gourmet Square eu vi que o céu estava ficando avermelhado, a tarde começava a cair, deixei a Mari no meu lugar na fila pra esperar o lanche e fui fotografar o pôr do sol que fica lindo ao fundo dos palcos e roda-gigante, não é a toa que tem um palco que chama "Sunset", que é bem onde o sol se põe. Lindo, lindo! Apesar de que eu sou suspeita, já que sou louca por fins de tarde avermelhados como aquele que - além de tudo! - era o último do inverno. O contraste com as luzes que começavam a acender, o pessoal sentado na grama, a música ao fundo vindo de todos os lados, aaaaahhhhhh uma delícia entardecer já por lá. Mais um motivo pra ter sido ótimo chegar cedo.



Fim de tarde na Cidade do Rock, último entardecer do inverno!
Pôr do sol registrado, voltamos pro adorado Rock District onde estava rolando Evandro Mesquita, mas ele não cantou nada do que a gente a gente conhecia, ficamos pouco tempo lá porque estava pra começar O Grande Encontro no palco Sunset. Melhor coisa que fizemos na vidaaaa! Que show, que show sensacional dos tiozões do Grande Encontro! Não sei como é o Rock in Rio para os jovens mas para os idosos tipo eu é muito demais hahahahah! Dancei e cantei muito com Elba, Alceu e Geraldo. De lá, Mari e Fê foram para o palco Mundo onde iria começar Jota Quest e onde eles queriam ir se aproximando do gargarejo pra ver Bon Jovi de pertinho. Só que no Sunset a atração seguinte era Ney Matogrosso e Nação Zumbi, tipo, sensacional! Aproveitei que encontrei um amigo lá no meio da multidão e fiquei lá com ele e os amigos. Pensei que imagino que vou ter mais chances de ver outras vezes Jota Quest na vida - como já vi mais de uma vez - do que Ney Matogrosso! Valeu muito a pena, gostei muito do show, mas saí um pouco antes do final por motivo de xixi!

Do banheiro fui para o palco Mundo, onde até tentei chegar perto dos meus amigos, que já estavam no meio da muvuca em direção ao palco, assisti Alter Bridge (que não conhecia) sendo espremida por essa multidão, mas desisti de seguir tentando avançar! Como não sou mesmo muito fã de ninguém, achei mais vantagem pra mim ficar mais pra trás onde dava pra respirar, dançar, pra comprar "drinks" e conhecer mais pessoas, o empurra-empurra em frente ao palco é mesmo cruel, só pra super fã. Encontrei então outra amiga, a Karina, que estava por lá. Curti o restante dos shows do palco Mundo com ela, conhecemos gente de um monte de lugar do Brasil e lembrei o quanto sou privilegiada de morar em SP, tão perto do Rio, para poder fazer praticamente um bate-volta pra lá quando der na telha (telha = Carnaval e Rock in Rio my new love).

Palco Mundo durante o principal show da noite!

Dançar, beber, conhecer gente! Porque não precisa ser mega fã de rock pra ir no Rock in Rio!

Amei o show do Tears for Fears e do Bon Jovi também, dancei, cantei, pulei, me emocionei na queima de fogos linda do final! Reencontrei Mari e Fê depois que os shows do palco Mundo acabaram, aí comemos de novo, bebemos mais um tiquinho, tiramos mil fotos impublicáveis, rodamos em mais um monte de lugar que naquela altura do campeonato não tenho ideia do que se tratavam hahahaha! Algo que me lembro muito bem e que foi lindo pra fechar com chave de ouro foi uma fonte que tocava a música do Rock in Rio instrumental, linda como tantas outras coisas lindas e good vibes que vi por lá. Ah, assistimos - jogados na grama - o show de humor "Segue o Baile" que encerra as apresentações da madrugada. 

o
Rock in Rio pra mim: só coisa boa!
Atravessamos o portão da Cidade do Rock às 04h30! Que delícia! Foi exatamente como eu queria, como eu imaginava! Para 2019, #ficadica pra mim mesma: vou comprar dois dias de festival! Tem muita coisa lá dentro pra curtir, não dá pra ser num dia só! Acredito que dois dias inteiros lá seria sim o ideal para alguém com o meu perfil, mas neste ano foi isso que deu pra mim: sair da Cidade do Rock com o dia quase amanhecendo, tomar um banho, "curar" no big café da manhã do hotel e ir para o aeroporto pro vôo das 8h30. Será que em 2019 ainda vou ter esse pique? Tenho que ter! Experiência única que na certa vou repetir e que deixo a dica para quem costuma ler meu humilde blog: conheçam! Programem-se! Achei o festival super organizado, as atrações muito boas e música é música né??? Não precisa ser fã de carteirinha de ninguém - como eu não sou! - pra amar e curtir muito!

Agora vou dormir e sofrer porque não tenho mais nenhuma viagem marcada! Amanhã jogo na Mega Sena pra tentar reverter isso! Hahahahahaha que vida!

Até a próxima! 


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Relato de Viagem - Bariloche


Relato pra contar sobre minha primeira viagem "de verdade" com a minha filha Luísa, aos 3 anos e 6 meses. Tenho tanto e - ao mesmo tempo - tão pouco a dizer sobre essa viagem que vai ser difícil relatar. Desde que a minha filha nasceu eu meio que "abandonei" o blog, sempre falei que o "Porque tô de folga" não viraria um blog sobre viagem com crianças E NÃO VAI VIRAR hahahahah! Até porque esse relato é pra constatar na prática aquilo que #eujásabia: viajar com criança é um trampooo! Sempre digo que meus relatos são pra ajudar - com informações práticas - quem está planejando uma viagem... só que viajar com criança é algo tão crazy, que talvez não ajude muito desta vez!!!! Mesmo assim, vamos lá! Partiu Brasiloche!

Primeira viagem "de verdade" da Luísa: Bariloche, na Argentina!
PRA COMEÇO DE CONVERSA...

QUEM SOMOS: Assim como todos meus relatos, começo esse explicando um pouco sobre quem fez a viagem porque é isso que faz toda a diferença em tudo. Nas escolhas, no jeito de fazer, em todo roteiro a seguir. Curioso que estou aqui com uma aba do navegador aberta no meu último relato de viagem - o de Londres - e quanta mudança entre o último "quem somos" e o atual. Enfim, somos mãe e filha: eu aos 36, ela aos 3 anos e meio. Como toda mãe do mundo, sou louca por ela, amo desesperadamente, mas também sou a típica "menas main" (um breve resumo do que é isso, nessa matéria aqui). Para quem não quer abrir o link e quer entender ainda mais resumidamente: eu já acho um trampo ir ao supermercado, shopping, parque, qualquer lugar com a minha filha. Extremamente desgastante e pouco produtivo sair com criança, eu enlouqueço (acho que ainda não falei que outra característica minha é ser sincera rsrsrs)! Imagine fazer uma viagem!!! (explico no "Quem Faz" desse blog um pouco do que penso sobre viajar com crianças). Ainda mais com uma menininha que puxou à mãe no quesito agitação. A Luísa é uma criança muito esperta, curiosa, decidida, amorosa, parceirinha sim... mas é uma criança de 3 anos, com tudo o que se pode esperar da idade. Essas somos nós: mãe e filha da "maternidade real", com grana curta, mas muita vontade de viajar.

POR QUE BARILOCHE? Graças a Elsa e Ana, as crianças dessas últimas gerações desenvolveram um fascínio pela neve que eu, por exemplo, jamais teria na primeira infância. Claro, quando a gente descobre o que é neve, na certa dá uma vontade louca de conhecer, mas jamais aos 3 anos de idade, acho que eu comia terra aos 3 anos, nem sabia o que era viajar! Já Luísa é da geração "Frozen", então brincar de estar na neve sempre foi algo frequente e a vontade de conhecer a neve chegou antes de outros sonhos de viagem mais comuns entre as crianças. É preciso levar em consideração, claro, que Luísa é uma privilegiada já que a família do pai é do litoral, então vive na praia, ama praia, mas não tem isso como um sonho, viajar pra praia já é uma realidade pra ela desde sempre. Pois bem. Sendo a grana curta uma realidade aparentemente imutável na minha vida, sempre pensei que talvez levá-la para conhecer a neve, na América do Sul, seria um dos poucos sonhos de viagem da Luísa que estaria a meu alcance. No início deste ano, com a decisão do sr. "presidente" em liberar os inativos do FGTS, saquei a merrequinha que tinha lá e - com medo de acabar usando esse dinheiro com outra coisa - resolvi que a levaria logo para a neve. Sim, desespero de gente pobre quando entra um dinheirinho: "deixa eu fazer logo o que quero antes que a grana desapareça em meio aos infinitos boletos a serem pagos todo santo mês". Entre Chile e Bariloche - que são as opções de neve pra quem tem pouca grana - escolhi aquele que tem o perfil mais infantil, com mais atrações para crianças, já que a viagem foi totalmente planejada para diversão da Luísa. 

MODO DE "USAR" ESSE RELATO: Sempre coloco esse tópico no início dos meus relatos porque tenho super dificuldade em "me encontrar" nos relatos que encontro na internet, então gosto de explicar como as pessoas podem se situar nos meus. Faço sempre uma abertura sobre o planejamento da viagem e depois um relato dia a dia da viagem em si, finalizando com as considerações gerais que acho importantes. Ao longo do relato propriamente dito, a data está sempre destacada em negrito e, abaixo de cada dia, em caixa alta, faço tópicos dos lugares onde estive. Acredito que, assim, fica mais simples de localizar as informações sobre o que realmente interessa. Exemplo: talvez alguém não queira ler o relato inteiro (porque eu escrevo um bocadinho demais né?), mas busque informações sobre um passeio específico. Aí é só procurar isso nos tópicos em letras maiúsculas e ir direto ao que interessa. 


O PLANEJAMENTO

QUANDO IR: Tem muita coisa bonita em Bariloche mas não vejo muito sentido em ir pra lá a não ser na temporada de neve, entre junho e setembro, dependendo das condições climáticas que podem mudar a cada ano. Como todos sabem, julho lá é MUITO cheio por conta das férias escolares e é também o mês mais caro, já que trata-se de altíssima temporada. Eu cheguei a cotar o mês de julho, mas dava algo em torno de R$ 2 mil reais de diferença em passagem e hospedagem comparado com agosto, então fui no início de agosto porque tinha um compromisso em 10 de agosto que não poderia adiar, mas se pudesse teria ido na segunda quinzena, quando tudo fica ainda mais tranquilo por lá e ainda tem praticamente as mesmas chances de encontrar neve.

QUANTO TEMPO FICAR: Também coloco sempre essa informação nos meus relatos com base naquilo que o destino tem a oferecer, já em Bariloche depende muito do objetivo da viagem e do clima que vai encontrar por lá. Isso porque, se neva muito, por exemplo, alguns passeios podem se tornar inviáveis, aí o dia pode ser perdido. Então é bem difícil calcular, tem mesmo que abusar da sorte! Se eu fosse sem crianças, com base em tudo o que descobri que tem por lá pra conhecer e com a maravilhosa oportunidade de esquiar, ficaria entre cinco e seis dias. Como minha viagem era para minha filha conhecer a neve e como eu estaria sozinha com ela, sem saber ao certo como seria essa experiência, fomos numa terça-feira e voltamos num sábado. Pode-se dizer que - pra valer mesmo - foram três dias em Bariloche, uma vez que se leva praticamente um dia pra ir e um dia pra voltar. Para nós foi suficiente porque a neve cansa muito a criança e, se tivéssemos ficado mais, acho que ela não aproveitaria bem mais um dia na montanha. 

BARILOCHE E NADA MAIS? Para chegar até Bariloche é preciso fazer escala em Buenos Aires, então é a opção de muitos aproveitar para conhecer a capital argentina. Sendo essa uma viagem para Luísa, não cogitei a possibilidade, mas pode valer muito a pena. Ao escrever isso estou constatando que esse relato vai ser mesmo pouco útil, já que não fiz quase nada do que valeria a pena hahahahaha mas vamos em frente!

O ROTEIRO: Eu que sempre leio, estudo, pesquiso sobre viagem, pouco me preparei para esta, como conto neste post. Dizem que para viajar com criança você tem que se preparar mais ainda né? Eu não concordo! Viajar com criança limita bastante as possibilidades, então eu foquei em pesquisar somente sobre aquilo que seria viável fazer com ela: os cerros com estrutura para crianças e outras atividades voltadas para o público infantil fora dos cerros. Montei o roteiro em cima disso, lembrando sempre que - dependendo do clima - um cerro ou outro pode ficar fechado ou pode estar ventando muito ou nevando muito lá em cima e ser ruim para criança. Por isso, recomendo que, quem for fazer um roteiro para Bariloche, leve tudo isso em conta e não compre nenhum passeio com antecedência, é impossível saber muito antes se vai ser mesmo possível fazê-lo no dia planejado. Já em Bariloche, vale consultar sites de meteorologia para saber como vai estar o clima no dia seguinte para - aí sim - confirmar o que fazer. Aprendi isso com este grupo incrível do Facebook, que tem como mediador um ex-morador de Bariloche que mora no Brasil. O Pablo Martin é extremamente solícito e bem informado sobre tudo e as pessoas se ajudam bastante nos comentários, super recomendo pedir para participar do grupo enquanto planeja a viagem. O site mais maravilhoso de viagem ever - Viaje na Viagem - também tem um post muito bom com informações para quem vai pela primeira vez pra lá.

PASSAGEM AÉREA: Comprei tanto a passagem quanto a hospedagem pela CVC, apesar de saber que é possível fazer isso por sites como Decolar.com talvez com preços mais em conta. Fiz isso pela insegurança de viajar com a minha filha, medo de dar algo errado e eu não conseguir ter suporte de ninguém. Viajantes corajosos que viram pais viajantes "cuzonildos", essa sou eu! Para chegar em Bariloche, é preciso fazer conexão em Buenos Aires, então, uma informação muitíssimo importante ao comprar a passagem aérea: certifique-se de que seu vôo até Buenos Aires pousa e depois decola do mesmo aeroporto. Isso porque Buenos Aires tem dois aeroportos e, se você sai do Brasil e pousa em Ezeiza mas depois seu vôo para Bariloche decola do Aeroparque, você vai precisar de um traslado entre um aeroporto e outro, o que é um trampo. Minha conexão foi no Aeroparque. Outra coisa essencial: não aceitar vôos com tempo de conexão inferior a duas horas porque você precisa passar pela imigração ao chegar em Buenos Aires e a fila costuma ser grande. 

A ESCOLHA DO HOTEL: Sempre acho difícil essa parte do planejamento da viagem porque, sem conhecer a cidade, por mais que se estude mapas, é hard escolher! Em Bariloche, são basicamente três regiões onde você pode escolher se hospedar: perto da própria estação de esqui, na Av. Bustillo - às margens do incrível lago Nahuel Huapi - ou no Centro. Aí vem de novo a Lenina falando o "se eu estivesse sozinha": seee eu estivesse sozinha, ficaria na Avenida Bustillo porque sou LOUCA por nascer e pôr do sol. O lago é uma coisa absurda de lindeza e, pelo menos na época em que fui, ele nasce e se põe entre um lado e outro do lago, uma coisa indescritivelmente LINDA! Claro que para valer a pena tem que ver se o hotel ou hostel ou casa alugada (tem muitas lá) possui vista para o lago, se o quarto escolhido também tem, mas vale o esforço em descobrir isso antes de fazer a reserva. Agora voltando à realidade, nem pensei duas vezes em escolher um hotel no Centro pela facilidade de locomoção com a Luísa e achei muito bom para nós ficar por lá. Não é muito longe do aeroporto e realmente tem tudo ao redor. Fiquei no Soft Hotel Bariloche, na Rua Mitre, a principal da área central. Em minhas viagens sempre escolho hotéis que sejam simples, baratos, porém bem localizados. Confesso que - ao ver os hotéis chiques disponíveis em Bariloche - fiquei com receio do meu ser ruim e não oferecer o mínimo conforto pra Luísa, mas arrisquei e me surpreendi positivamente. O Soft é um hotel antigo sim (Lulu achou a coisa mais engraçada do mundo ter bidê no banheiro), mas é extremamente limpo, funcionários bem preparados, calefação perfeita e café da manhã farto. Normalmente tiro fotos da fachada do hotel, do quarto, do café da manhã para mostrar aqui... mas com Luísa junto não fiz, me concentrei em não perdê-la de vista, o que já foi um desafio hahahahah!

ROUPAS PARA NEVE: Os preços, em Bariloche, não são convidativos para se fazer compras de roupas adequadas para a neve por lá. Pelo que pesquisei a respeito, valia a pena comprar o máximo de itens por aqui, deixando para alugar por lá só mesmo aquilo que não vale a pena ter para si: as botas para andar na neve, por exemplo. Eu já tinha algumas roupas que havia comprado antes de uma viagem para o Chile, dois casacos impermeáveis estavam garantidos (não, não ligo nem um pouco de repetir roupas de uma viagem pra outra). Para a minha filha doeu um pouco no coração pensar em comprar porque de um ano pra outro ela cresce, então mesmo que daqui um tempo faça outra viagem para a neve, não vai usar de novo. Aí vem aquele jeitinho brasileiro de quem não tem dinheiro sobrando: conversando com um e outro, contando sobre a viagem, a mãe de uma amiga do ballet da Luísa ofereceu um macacão impermeável e luvas emprestados para levarmos. Aceitei na hora! O restante ou levei o que ela já tinha ou comprei na Decathon, onde encontrei tudo muito barato por ter ido comprar no fim do mês de julho, quando já estava rolando liquidação de inverno. Lembrando que, na neve, é preciso se vestir em "camadas", este post do incrível blog "Uma Sulamericana" explica bem.

TOMADAS: Fiquei pensando se precisaria levar adaptadores para carregar o celular e ligar o secador de cabelos, mas apesar das tomadas lá serem diferentes, têm bolinhas na ponta que dá pra usar sem levar adaptador. Neste post do blog "Dicas e Roteiros de Viagem" tem fotos que permitem entender bem por que não é necessário. Quem escreveu esse roteiro ficou em um hostel e tinha esse tipo de tomada. Eu fiquei num hotel bem antigo no centro e também tinha, então não há por que se preocupar.

CÂMBIO: Outra pesquisa importante de se fazer é sobre o câmbio de reais para pesos argentinos ou dólares para pesos argentinos. Li, li, li bastante a respeito e, pela cotação das moedas, conclui que o melhor a se fazer era comprar dólares no Brasil e, lá, trocar por pesos argentinos. Este post do Viaje na Viagem explica bem sobre o câmbio. Esse tópico vai ser curtinho porque "sou de humanas" e me enrolo toda nas conversões dos valores, mas a frente conto o que aconteceu quando fui fazer o câmbio, mas a dica é essa: leve dólares para trocar, vale mais a pena!


A VIAGEM

TERÇA-FEIRA - 01/08

IMIGRAÇÃO EM GUARULHOS: Embarcamos no Aeroporto Internacional de Guarulhos e, ao passar pela imigração, quase tive um infarto agudo do miocárdio porque em toda a documentação o meu nome estava de solteira e, no RG da minha filha, está meu nome de casada. Então já de cara quase tive um treco, me levaram pra salinha da Polícia Federal, aquela tensão toda com os policiais de cara fechada me encarando e a Luísa numa alegria só gritando "vou pra neve, vou pra neve". Quase tive um piripaque mas nos liberaram. Então só pra lembrar quem viaja com criança precisa estar tudo certinho pra imigração: autorização do pai da criança pra viajar, no caso de ir só a mãe, RG com foto atual da criança AND a bendita averbação do divórcio. Eu tinha a averbação só no celular, o documento scanneado estava no meu email, e foi o que me salvou.

Foto no aeroporto em Buenos Aires, antes de embarcar para Bariloche de Aerolíneas Argentinas

OS VÔOS / IMIGRAÇÃO / CÂMBIO: Fomos de GOL até Buenos Aires e vivemos a experiência da aeronave com Wi-Fi, acredito que a maioria dos vôos GOL para América do Sul agora tem essa tecnologia, então vale baixar o aplicativo Gogo Entertainment para assistir filmes on line grátis. Eu baixei mas não usei porque Luísa capotou no vôo e eu aproveitei para descansar também. De Guarulhos a Buenos Aires são cerca de duas horas e meia de vôo. Descemos na capital argentina e tínhamos três horas de conexão, o que eu inicialmente tinha achado muito tempo, mas depois vi que é o ideal. Isso porque é necessário passar pela Imigração e a fila é gigante, portanto, não compre vôos com tempo muito curto de conexão, como já alertei. No nosso caso, o bom foi que, assim que entramos na fila, uma funcionária chamou todos os passageiros com criança pequena para um guichê preferencial, então não fiquei nem dois minutos na fila, mas os demais devem ter passado um bom tempo ali. Passamos tranquilamente pela imigração argentina - ao contrário do que havia acontecido no Brasil. Malas retiradas, despachadas novamente, check-in na Aerolíneas Argentinas feito, fui procurar o Banco Nación para trocar os dólares. Impossível! Uma fila gigante pra entrar no banco e daquelas filas que não andavam. Resolvi que trocaria em Bariloche mesmo ou usaria os dólares, já que havia me informado que tanto dólares quanto reais são aceitos (e são mesmo, mas o real é menos valorizado). No mesmo minuto que decidi isso, Luísa quis comprar uma revista de pintura na banca de revistas ao lado do Banco Nación e, lá mesmo, já troquei os primeiros dólares por pesos argentinos. Resultado: acabei fazendo isso o restante da viagem toda. Pagava em dólar, me davam troco em pesos argentinos e nem usei casa de câmbio ou os famosos cambistas que abordam os turistas a todo momento. Sem dúvidas deve haver uma pequena defasagem no valor da moeda fazendo isso, mas eu com Luísa / malas / boneco de pelúcia pra cima e pra baixo, fiz isso sem sofrer. Embarcamos rumo a Bariloche e o vôo pela Aerolíneas também foi tranquilo, com direito a jornal do dia grátis no embarque, alfajor e café no serviço de bordo. Tudo isso unido à Luísa gritando de alegria ao ver a neve pela janela do avião - eu não precisava de mais nada!


Vista da neve pela primeira vez, da janela do avião, onde jornal do dia, café e alfajor fizeram meu vôo feliz!

REMIS DO AEROPORTO PARA O HOTEL: Essa é outra questão para quem viaja à Bariloche - usar táxis ou remis, que são veículos particulares que não têm taxímetro e sim um valor combinado anteriormente com o motorista para determinado destino (pelo que pesquisei, não tem Uber por lá). Li sobre isso no grupo de Bariloche que participei e já estava preparada para procurar um remis, que até o meu hotel sairia por cerca de 300 pesos. Porém, assim que coloquei o pé fora do aeroporto fui abordada por um intermediador de um taxista oferecendo transporte. Perguntei quanto sairia até o meu hotel, ele disse que sairia por 280 pesos. Fui. Deu exatamente esse valor no taxímetro. Então é bem próximo o valor de taxi e remis, não tem grande diferença, com a vantagem de que os remis você pode pegar o celular de algum que tenha te agradado e fazer todo transporte necessário com ele, como vou contar no item do passeio a Piedras Blancas.



Não sei por que não consigo legendar todas as fotos... as imagens acima são da Catedral de San Carlos de Bariloche em nossa chegada ao centro

CENTRINHO DE BARILOCHE: Depois do check-in no hotel, eram mais ou menos 16h30, e deixei previsto no meu roteiro um passeio pelo centro para reconhecer o lugar, passar no centro cívico para pegar mapas, alugar as botas de neve e ir no supermercado comprar coisas para lanchinhos para os passeios dos dias seguintes, além de comprar e carregar o cartão do ônibus. O centro de Bariloche é fofo e gelado. Caminhando pela Calle Mitre - a principal, cheia de lojas bacaninhas - vi ao longe a torre da igreja catedral. Eu tenho uma "coisa" com igreja meio inexplicável já que não me considero mais católica... mas adoro visitar, acho que são lugares carregados de história, já que normalmente toda pequena vila de antigamente tinha uma igreja ao centro. Caminhamos, então, em direção à torre. Para alegria da Luísa, bem atrás dela tinha um parquinho onde ela ficou brincando enquanto eu admirava o lago que fica bem ali, ao lado da igreja. Estava entardecendo, era o fim de um dia lindo de sol, então, em vez de ir ao centro cívico (onde é bacana ir pegar mapas, saber sobre passeios, etc), passamos o tempo na praça ao redor da igreja esperando o sol se pôr no lago Nahuel Huapi. Recomendo isso para quem chegar no vôo do meio da tarde: ir para a beira do lado assistir esse espetáculo. Ok, quase congelamos, Luísa reclamou de frio, mas é um espetáculo de boas vindas que vale a pena!




Na praça ao redor da Catedral de San Carlos de Bariloche, esperando a tarde cair para depois ver o pôr do sol
Posicionadas, esperando o sol sumir no horizonte, às margens do lago Nahuel Huapi
Lulu no sunset
Pôr-do-sol no lato Nahuel Huapi

LOCAÇÃO DE ROUPAS PARA NEVE: Tem muitas lojas para locação de roupas e, nas pesquisas que fiz, anotei alguns nomes de lojas bem conceituadas. São elas: Sandrik (Rua Rolando 277) / Ponto Chic (Rua Rolando 157) / Patagônia Show Room (Mitre 354). Tinha decidido alugar na Patagônia porque li muita gente falando bem, dizendo que apesar de ser um pouco mais cara, eram as roupas para locação de melhor qualidade em Bariloche. Como eu iria alugar somente botas, queria que fossem boas, que não molhassem por dentro. Anotei o endereço da loja da Rua Mitre, mas voltando do pôr-do-sol no lago, encontrei outra Patagônia Showroom numa rua transversal. É grande, funcionários bem preparados que falam português e, ao alugar a roupa, você ganha um chocolate quente (gordinha acha isso um diferencial hahahaha). Paguei 149 pesos por dia por cada par de bota. Logo, duas botas por dois dias a 596 pesos. Tinha decidido que só iria alugar óculos próprios pra neve pra Luísa, mas caí na lábia do vendedor e aluguel pra nós duas: 119 pesos cada óculos por dia, 476 dois óculos por dois dias. Gasto inútil. Luísa não quis usar, eu até usei no primeiro dia, mas depois usei o meu mesmo que é mais fácil de colocar e tirar. Já esquiei bastante no Chile e, para esportes de neve mais radicais sim, acho importante. Pra esquibunda apenas é desnecessário, fica a dica! Já as botas foram indispensáveis, boa qualidade, recomendo o Patagônia Showroom.

SUPERMERCADO: Como em todo passeio - com ou sem criança - é bom ter lanchinhos na mochila para não depender da estrutura dos lugares e também para não gastar um absurdo numa água ou numa bolacha (na maioria dos lugares, a garrafinha de água saía pelo equivalente a R$ 12,00 - too much né?). Por isso pesquisei qual era o supermercado mais perto do meu hotel e achei a indicação do Supermercado Todo (Calle Mitre 265) e passamos lá para umas comprinhas, vale a pena! Comprei quatro empanadas, batatas Lays, bolachas, alfajor, garrafinhas de suco de laranja, garrafa grande de água e um kinder ovo pra criança teimosa que quer comer kinder ovo na terra do alfajor. Gastei 355 pesos - cerca de R$ 71,00.

CARTÃO SUBE: Para usar o transporte público, em Bariloche, é preciso comprar um cartão chamado Sube que precisa ser carregado com o valor a ser pago pelo destino até onde você vai. Já sabia que o preço para ir até o Cerro Catedral - onde precisaria de ônibus - seria de 28 pesos ida e 28 pesos volta. Carreguei com esse valor em um dos "kioskos", que são pequenos comércios que fazem a venda e carregamento do cartão sube. Uma dica é que, ao ler sobre os kioskos, eu achei que eles fossem quiosques da própria empresa de ônibus, mas não são. Em pequenas lojas que vendem coisas variadas - água, doces, lembrancinhas, etc - há placas onde está escrito "kiosko" e indica que ali tem cartão Sube. Já garanti o meu no primeiro dia.

JANTAR EM "EL BOLICHE DE ALBERTO PASTA": De todas as indicações que encontrei sobre restaurantes em Bariloche, "El Boliche de Alberto" estava sempre na lista pela qualidade e preço. A tradicional casa tem unidades que servem carne e outra especializada em massas, sendo essa segunda opção no mesmo quarteirão do meu hotel. Foi lá que jantamos na nossa primeira noite em Bariloche, não é preciso fazer reserva mas é recomendado chegar cedo para não esperar mesa disponível. Chegamos pontualmente às 20 horas, quando abre o restaurante para o jantar. A massa é realmente muito boa, um prato serviu tranquilamente a mim e Luísa (a garota come macarrão como um adulto, uma pratada toda , não sei a quem puxou rs). Pedi uma carne ao molho para acompanhar, mas nem precisaria. De entrada vem um cesto de pães e manteiga inclusos. Também tomei uma Quilmes porque chapar viajando com criança não rola né, mas tomar umazinha eu merecia para fechar o dia mega cansativo de chegada a Bariloche. Pagamos 350 pesos por esse jantar, cerca de 70 reais.


Quilmes delícia e nosso jantar: pene com molho de tomate e carne também ao molho, em El Boliche de Alberto Pasta

QUARTA-FEIRA - 02/08

PIEDRAS BLANCAS: Depois de pesquisar sobre os passeios onde as crianças têm mais opções de diversão, escolhi começar por "Piedras Blancas", que não é uma estação de esqui, mas um verdadeiro parque de diversões na neve com esquibunda, aquelas "bóias" pra descer escorregando, tríneos (um tipo de trenó individual), uma outra atração que é como uma "tirolesa" na neve, entre outras alternativas que não esqui ou snowboard (não é difícil entender tudo o que tem em Piedras Blancas - incluído preços - acessando o site que linkei acima). Acordamos sete da manhã para ir para lá, já que o local abre às 9 horas e em tudo o que eu li sobre Bariloche dizia que as filas eram sempre enormes, por isso fiz questão de chegar nesse horário. Como defendo sempre que viajar pra dormir até tarde é o mesmo que jogar dinheiro fora, pulei cedo da cama com a Luísa e saímos do hotel com o dia ainda escuro (só começa a clarear depois das 9 horas no inverno de Bariloche). No dia anterior havia pedido, na recepção do hotel, a indicação de um remis até Piedras Blancas, já que não há transporte público para lá. O próprio hotel reservou o remis e, às 8h15, o motorista Ernani nos esperava. Pagamos 400 pesos para ele nos levar até lá e foi um espetáculo incrível ver o dia amanhecer na estrada, enquanto subíamos a montanha! A neve e o sol começando a aparecer, com o lago Nahuel Huapi sempre surgindo nas paisagens, é de uma beleza que eu não imaginava que veria em Bariloche. O caminho até Piedras Blancas já foi puro êxtase pra mim. 

Foto tremida porque a estrada é esburacada, fiz vários vídeos mas foto mesmo não demostra o espetáculo que foi!

Fomos as primeiras da fila na bilheteria e, para mim, comprei um passe de "peatones", que é um passe de "pedestre", só para acompanhar a Luísa, paguei 320 pesos. Para ela, o passe que dá acesso apenas às pistas infantis a 180 pesos. As pistas mais radicais são permitidas apenas a partir dos 4 anos, ela até passaria por 4 anos pelo tamanho dela, mas pelo que conversei com mães que levaram crianças nessa idade, é mesmo a partir dos 5 que elas conseguem utilizar bem, já que são descidas grandes. Prova disso é que vi muito mais jovens e adultos do que crianças pequenas nessas atrações. Enfim, entramos e era tão cedo que ainda estavam fazendo a manutenção matinal no teleférico. Enquanto esperávamos, Luísa "descobriu" a neve, ficamos brincando na parte baixa do parque. 


À esquerda, a bilheteria vazia quando chegamos; a foto da direita é a Luísa pisando na neve pela primeira vez!

Quando subimos de teleférico, já com um tríneo nas mãos, para ela escorregar, mais um deleite para os olhos... lindo demais o trajeto, principalmente porque aí sim o sol estava nascendo de verdade, pena que nenhuma foto é capaz de representar isso!










Amanhecer no alto de Piedras Blancas

Chegando lá no alto fomos para a pista infantil e Luísa se divertiu muito, escorregando mil vezes. A pista infantil só dá direito ao tríneo, mas como sou "bocuda", fui lá no rapaz que entrega as bóias pro pessoal descer as pistas maiores, e pedi uma. Nessa hora ainda estávamos só eu e Luísa na pista infantil (vantagem de chegar cedinho!), então ele emprestou a bóia de criança e aí foi mais diversão e muitos tombos.


Sobe, escorrega, dá gargalhadas e sobe de novo, sequência repetida um milhão de vezes!

Quando ela cansou, fomos fazer bonecos de neve, achamos uma cenoura que alguém havia levado jogada por lá e montamos nosso "Olaf" com restos de outros bonecos, já que fazer um boneco do zero é um trampo sem fim! Foi uma festa fazer o boneco, era uma das coisas que ela mais queria! Abraçou e ficou apaixonada pelo primeiro boneco que viu montado! <3 






Momentos mágicos ao montarmos nosso primeiro boneco de neve!

Também fizemos nosso piquenique lá em cima, com as coisas que tínhamos comprado no mercado: empanadas, suco, alfajor. Eis que dona Luísa tem vontade de fazer xixi, afinal, já eram mais de 11 da manha, ela só tinha feito xixi no hotel por volta das sete e meia. Na parte de cima de Piedras Blancas não tem banheiro, eu já sabia disso. Não daria tempo de descer o teleférico, ela estava super apertada. Tirei o macacão térmico que ela estava, coloquei minhas blusas por cima dela e ela fez xixi na neve!!! Isso virou um dos pontos altos da viagem, ela viu o xixi derretendo na neve e fazendo uma poça amarelinha na neve branca, contou até na escola que fez xixi na neve! O problema é que aí depois, mesmo de roupa (as minhas e as dela, uma por cima da outra), ela continuou sentindo frio, tadinha!


Congelando de frio depois do xixi na neve, coloquei meu casaco nela, ficou parecendo uma boneca de neve!


Como já tinha cansado de tanto escorregar e como naquele horário - por volta de 11h30 - já tinha bastante criança pra dividir o espaço, descemos o teleférico (o passe peatones e infantil dá direito a apenas uma subida então ao descer não poderíamos subir de novo). Antes de descer em definitivo, tiramos fotos no boneco de neve gigante que tem lá exclusivamente para os fotógrafos profissionais registrarem e você comprar a foto na saída. Além do boneco, tem um cachorro São Bernardo - que também tem em muitos outros lugares da viagem para fotografar - e um iglu. A foto ficou incrível, assim como uma outra que tiraram dela descendo no tríneo, tive que comprar! Não me lembro o valor, mas não foi barato não... algo como R$ 30,00 por foto, se não me engano.




Depois de descer o teleférico, entramos em uma das duas lanchonetes de Piedras Blancas, onde ficamos por quase uma hora, já que era quase meio-dia e eu havia combinado com o remis de ir nos buscar às 13 horas. Nessa lanchonete tomamos chocolate quente, os restos de empanadas que sobraram do piquenique e nos aquecemos nos fornos à lenha que eles têm por lá. Mãos e pés congelados apesar das meias térmicas, botas e luvas de neve! Piedras Blancas é incrível, talvez Luísa aproveitasse mais se fosse um pouco maior, mas é um passeio obrigatório para quem tem crianças e para adultos que não querem só esquiar, mas também brincar de escorregar na neve.

Aquecendo pós-neve e pós-chocolate quente na lanchonete de Piedras Blancas

Piedras Blancas ainda mais linda depois que o sol aparece!
Mais uma olhadinha na vista antes de ir embora


Registro da dupla antes de deixar Piedras Blancas, o motorista querido do nosso remis quem registrou

No caminho para a pista de patinação, depois do soninho da tarde, passeamos e admiramos as lojas da Calle Mitre

PISTA DE PATINAÇÃO NEVISKA: Em meu sonho dourado, depois de Piedras Blancas seria possível visitar mais um cerro, a ideia era ir até Cerro Otto, que é na mesma região... mas foi só a Luísa entrar no remis depois de tanto brincar na neve para capotar. Sendo assim, caí na real do que é viajar com criança, deixei ela descansar e só saímos de casa de novo no fim da tarde. Andamos pelas ruas do centro, passeando, com destino à pista de patinação que fica às margens do lago. Era outro desejo absurdo da Lulu patinar no gelo - "culpa" dos desenhos que ela assiste e sempre tem patinação. Ela, que nunca tinha patinado na vida, nem com patins sem ser de gelo, queria patinar de todo jeito... e lá fomos nós. Antes, uma paradinha para ver o sol começando a querer sumir no lago. É bem fácil chegar no Neviska, é só seguir a avenida do lago em direção à Avenida Bustillo que vai encontrá-lo. Custa 200 pesos argentinos por pessoa por tempo ilimitado, ou seja, você pode ficar patinando o dia todo se quiser por esse valor. Achei que havia a chance de não ter patins do tamanho do pé dela, para que ela desistisse, mas que nada. Tinha do tamanho dela e tinha crianças pequenas patinando, mas também muitos adolescentes. Música animada, a vista da beira do lago e uma pista de patinação pra minha Luluzinha se realizar!

Achei que essa seria a única foto que eu teria dela de patins, ao colocar... mas que nada! Foram duas horas patinando!
Entramos na pista de patinação, ela foi segurando na barrinha lateral, no começo eu também tinha que segurá-la, mas depois ela conseguiu muito mais do que eu imaginava que conseguiria. Quando ganhou confiança queria ir para o meio comigo... e foi! De mãos dadas, segurando, mas foi... e quem disse que queria ir embora? Patinamos durante duas horas seguidas, assistindo a um maravilhoso pôr do sol no lago, com música latina animada como trilha sonora. Foi um dos momentos da viagem em que me senti mais conectada a ela por eu gostar MUITO de patinar. Ela confiando em mim ao conduzi-la pelo gelo... foi demais!





Pôr do Sol incrível pelo vidro da pista de patinação




FESTIVAL DE LA NIEVE: Não sei nada sobre esse festival, vi algo no grupo do Facebook sobre Bariloche, mas não me informei. Saindo da pista de patinação, seguíamos a pé para o restaurante onde iríamos jantar e por acaso encontramos o tal festival. No portal de entrada para o evento, nevava! Neve de sabão, é claro, mas Luísa se acabou de felicidade com aquela neve artificial, ficou uma meia hora correndo atrás dos floquinhos de neve, ops, sabão!

Festival de La Nieve, no final da Calle Mitre





Quem disse que não nevou em nossa estadia em Bariloche? "Neve" pra alegria da pequena

RESTAURANTE ALTO EL FUEGO: Além de El Boliche de Alberto, outro restaurante muito elogiado pela carne - ou pela parrilla - que encontrei em minhas pesquisas foi esse. Alto el Fuego, na Rua 20 de Febrero, 451). Fiz a reserva antes de viajar, pelo site do restaurante porque realmente não tem mesmo como ir sem reservar. Quando chegamos vi gente implorando por uma mesa, mas não tinha como, todas reservadas. É um restaurante super aconchegante onde pedimos um suco de laranja, uma cerveja, meia porção de arroz (não tinhamos almoçado nesse dia, só brincado e comido porcaria!), fritas pequenas e do prato principal pedi metade, então foram 300 gramas de bife de chorizo, que estava simplesmente divino. Tudo isso dá tranquilamente para duas pessoas, comemos eu e a pequena e sobrou. Ah, antes veio um couvert grátis com pães, berinjela e um molho picante, tudo delícia. A conta deu 495 pesos argentinos (R$96,00), mais caro que a média dos lugares, mas vale a pena. Lugar muito bacana, atendimento ótimo e comida perfeita para encerrar esse dia que foi incrível.




A carne perfeita do restaurante Alto El Fuego, melhor refeição em Bariloche


QUINTA-FEIRA (03/08)

CERRO CATEDRAL: Meu maior desafio durante a elaboração do roteiro de viagem foi tentar entender Cerro Catedral. É enorme! Tem muitos teleféricos, muitas subidas diferentes, muitas atrações, é um mundo a parte em Bariloche. Acessei o site do Cerro Catedral, tem bastante coisa lá, mas segui sem entender bem. Coloquei minhas dúvidas no grupo de Bariloche no Facebook e o querido do Pablo respondeu neste post. Eu (loira) segui ainda sem entender muito bem o que eu queria compreender. Desisti, então, de entender todas as possibilidades do cerro para focar apenas naquilo que seria possível fazer com a Luísa. Esquiar eu já sabia que não poderia com ela. Fui, então, tentar entender as subidas para pedestres (peatones) e o mesmo Pablo explicou o seguinte lá no grupo: para não esquiadores tem três passeios possíveis. São eles:

Tour Histórico: Tem esse nome porque a subida é de "Cable Carril", que é o meio de elevação mais antigo do Cerro Catedral, por isso o nome do tour é "histórico". Essa subida no "Cable Carril", que é como um bondinho, vai até Punta Nevada. É um ponto de parada que tem dois restaurantes com uma vista incrível para a montanha. Você pode ficar ali o tempo que quiser e escolher se retorna dali mesmo ou se pega a "teresilla Lynch", uma cadeirinha aberta para duas pessoas que leva até o Refúgio Lynch, um dos pontos mais altos e lindos do Cerro Catedral. 

Tour Naturaleza: Você sobe pelo teleférico Amancay, no setor sul da montanha, chegando até a parada do restaurante "La Roca". Assim como nas outras subidas, é permitido ficar ali quanto tempo quiser e depois há a possibilidade de subir pelo teleférico "Diente de Caballo", um teleférico para três pessoas, até Punta Princesa, onde há uma parada com restaurante de mesmo nome.

Tour Aventura: Subida pelo teleférico tipo cadeirinha "Princesa I" para chegar até "Dinardia". Dali a subida é pelo teleférica "Princesa II", chegando a "Conexión", de onde se pega o último teleférico "Princesa III", com destino final a "Punta Princesa". 

Em resumo, a diferença entre os três tours é a região da montanha para onde eles levam e a forma de elevação - em cadeirinhas, teleféricos duplos ou triplos, cable carril. Além disso, para crianças pequenas que ainda não podem esquiar, o Cerro tem o "Kids Club", que é uma espécie de creche onde vc deixa a criança brincando pra ir esquiar (jamais teria coragem!). Li também sobre o Play Park, onde tem pendentes para quem quer aprender a esquiar ou fazer snowboard, mas também é mais indicado para crianças a partir dos 5 anos. Fui, então, decidida a ir conhecer a base do Cerro Catedral e fazer ou Tour Histórico.

Ao contrário do dia anterior, quando saímos do hotel com o céu ainda escuro para ir a Piedras Blancas, nesse dia tomamos café com mais calma e saímos por volta de 9h30 para pegar o ônibus que passa às 10h10 no centro. Peguei, não me lembro onde, essa tabela para saber os horários do transporte para Cerro Catedral:


Rodoviária
Centro
Cerro Catedral
7:00
7:10
8:15
8:00
8:10
9:15
10:00
10:10
11:15
11:00
11:10
12:15
12:00
12:10
13:15
13:00
13:10
14:15
14:00
14:10
15:15
15:00
15:10
16:15
16:00
16:10
17:15
17:00
17:10
18:15
18:00
18:10
19:15
19:30
19:45
20:30

Por que não saí cedo como no dia anterior? Considerando que o dia começa a nascer às 9 horas, o sol só aparece mais forte mesmo lá pras 11h30, antes disso tudo é névoa. Creio que ter saído muito cedo foi o que deixou Luísa tão esgotada depois de Piedras Blancas, então lá fui eu ignorar meu jeitão de viajante que quer aproveitar tudo desde a primeira hora da manhã. Fomos para o ponto de ônibus que fica na Rua Moreno, uma rua pra cima da Mitre. Essa rua tem vários pontos de parada do transporte coletivo, mas em cada ponto pára uma linha de ônibus. A parada da linha 55 B, que vai para Cerro Catedral, é no quarteirão entre as ruas Beschtedt e Palácios, é fácil olhar o mapinha que normalmente os hotéis entregam e se localizar, se não conseguir, a própria recepção do hotel auxilia. 

Por que busão e não outro meio de transporte? Dá pra ir de táxi ou de remis até o Catedral, mas obviamente, fica mais caro. Pegamos, então, o ônibus LOTADO e seguimos. Não é nada confortável ir até lá no aperto do busão, a minha sorte foi que me deram lugar por eu estar com a Luísa, caso contrário eu não indicaria ir de ônibus com criança. Os ônibus são bem cheios de turistas, gente com equipamento de esqui, estudantes, trabalhadores, enfim, pense em pegar um ônibus lotado em uma grande cidade onde alguns passageiros carregam equipamento de neve. Dureza. Já pra quem está viajando sem os pequenos dá pra encarar porque vale muito a pena pela economia que se faz. 

Base do Cerro Catedral, logo ao descer do ônibus 
Sinalização para os milhões de teleféricos que levam ao topo do cerro




O caminho é muito bonito, mas só conseguimos ver mesmo porque o assento que uma gentil alma nos cedeu era na janela, se fôssemos no aperto do corredor não daria pra ver quase nada. Descemos no Cerro Catedral com o dia ainda meio fechado - como disse, só abre lá pras 11h30 quando tem sol. Começamos a andar meio sem rumo porque são muitas lojas, muitas escolas de esqui, muitos lugares para locação de equipamentos, muitos e muitos restaurantes e cafés. Aproveitamos pra tirar fotos como essa, ao lado, com os amados bonecos de neve da Lulu. Caminhando em meio a isso tudo vimos uma máquina de fazer neve, aquelas que deixam a neve fofinha e não congelada - como estava em Piedras Blancas, que era dura, difícil de manipular e muito escorregadia para caminhar. Luísa correu pra lá feliz da vida, afundou o pé na neve fofa, correu pra lá e pra cá pra capotar na neve, fizemos bolas de neve, guerrinha de neve, rolamos naquela neve, enfim, nos realizamos como todo brasuca sem noção em Brasiloche! Como li no "Viaje na Viagem", "realizamos o sonho da neve própria"!




























Depois desse momento de êxtase Luísa se deu conta de que quase todo mundo tinha equipamento de esqui ou snowboard e nós não. Cismou que queria esquiar. Expliquei que não tinha pra idade dela, blablabla, até que vimos uma família de brasileiros com crianças pequenas e esquis, eles acharam que na escola onde os pequenos fizeram aulas poderia ter equipamento do tamanho da Luísa e tal... mas chegando na tal escola a constatação daquilo que eu já sabia, mas que Luísa não queria acreditar: esquiar só a partir de 5 anos. Depois de choro, escândalo e toda crise de birra do mundo, fomos comprar os passes para o Tour Histórico. É muito importante frisar que os tickets para todos os passeios são vendidos na base do teleférico Amancay. Eu, cabeçuda, que mesmo depois de ter lido horrores sobre o Cerro Catedral, continuava sem entender, fui direto pro "Cable Carril" pra subir e tive que voltar tuuuudo - com Luísa nas costas (não é perto!) - para ir comprar os passes. Lá criança paga o mesmo valor que adulto pra subir: 470 pesos por cabeça. Total de 940 pesos, o equivalente a R$ 183,00.

Paredes da escadaria que dá acesso ao Cable Carril contam a história desse que é o primeiro meio de elevação do cerro

O acesso ao "Cable Carril" é uma graça, na escadaria a história do lugar é contado, eu adoro isso, adoro entender cada ponto dos passeios, mas claro que, com Luísa, não parei pra ler nada. Subimos no "Cable Carril" que é um bondinho fechado, mas de onde se tem uma linda vista da base do cerro. Descemos no que eles chamam de parador Punta Nevada, onde há dois restaurantes e uma bela área de alimentação aberta para tomar aquela cerveja (pra mim) e aquele chocolate quente (pra Lulu) admirando a beleza do Cerro Catedral. 

Cerveja e chocolate no parador Punta Nevada


Lulu curtindo o parador, vista linda, cervo de madeira e o pessoal esquiando ao fundo
Parador Punta Nevada 
Cerveja e lugar gelados


Vista do parador Punta Nevada 
Depois de um tempinho no parador, pegamos o teleférico para o famoso Refúgio Lynch, que li muita gente comentando que é um dos pontos mais lindos do Cerro Catedral. Não conheço os outros, mas não tenho dúvidas de que é a vista mais linda que tive da neve na viagem, já começando pelo caminho do teleférico. É lindo ver os esquiadores deslizando pela montanha, aquela neve branquinha a perder de vista se misturando com o céu azul no horizonte... lindo, lindo!

























Casal de senhorzinhos esquiadores que achei fofos e quis fotografar! Lulu e eu no teleférico para Lynch <3 


Vista incrível na subida para o Refúgio Lynch 


Inveja desse povo todo esquiando e Lulu e eu sem poder esquiar!

Ao desembarcar no Refúgio Lynch, Luísa de novo se jogou na neve. Fez bonequinhos pequenos, chuva de neve e até comer neve pra ver o gosto ela comeu. A vista de lá é linda, emociona! Acho que foi o lugar da viagem onde fiz mais fotos, não dá vontade de parar de fotografar, ficamos um bom tempo ali: Luísa brincando, eu fotografando!


















Um milhão de fotos no Refúgio Lynch!
Depois do book completo da Lulu na neve, deitamos nas espreguiçadeiras do restaurante que funciona ali para nosso tradicional piquenique na neve com bolacha e suco. Decidimos que, em vez de comer ali, iríamos almoçar no Cerro Otto, falei pra Luísa que lá tinha um restaurante giratório e ela ficou louca pra conhecer. Antes de ir embora, caminhamos numa área a frente do restaurante, onde tem uma placa que demarca o Refúgio Lynch e mais vistas maravilhosas.




Cada deslizada na neve era um flash!
Pegamos o teleférico pra descer, de novo ficamos extasiadas pela vista, já que na descida se tem ainda mais noção da grandeza do lugar. Aí no meio do caminho, Luísa teve aquela vontade louca que não pode esperar de fazer xixi. Fomos no banheiro do parador Punta Nevada e, como ele é usado por todos os esquiadores ali do pedaço, é MUITO sujo. Quem puder segurar pra ir nos banheiros da base do cerro, recomendo. Dali descemos o trecho do "Cable Carril" e, no caminho, aproveitei para me informar sobre a melhor forma de ir dali até o Cerro Otto. Descobri que uma das linhas que sai do Cerro Catedral passa em frente ao teleférico de acesso ao Cerro Otto! Esperamos cerca de 20 minutos por essa linha de ônibus, no mesmo ponto onde paramos na chegada ao Catedral. Foi perfeito porque gastamos o valor da passagem do circular para ir ao outro cerro.

Lulu folgadinha relaxando na subida do Cerro Otto

CERRO OTTO: A foto acima é do teleférico para o Cerro Otto, também no estilo do cable carril, fechado. Estou aqui procurando o ticket para contar o valor do passe para esse teleférico e o que encontrei marca que paguei 400 pesos argentinos, mas agora não estou lembrando se foram 200 pra mim e 200 pra Lulu ou 400 para mim e Luísa gratuito. Acho que foi a primeira opção. a Subida é linda, fomos só eu e Lulu na cabine que é grande e espaçosa. A ideia era, primeiro, comer na Confiteria Giratória e só depois brincar... mas quando Luísa viu a criançada descendo nos tríneos, ela esqueceu da fome (estávamos só com café da manhã no estômago e lanchinhos como bolacha e maçã!). Fomos direto locar um tríneo pra ela, que não estou achando aqui quanto custou. A locação é por uma hora, o que a princípio parece pouco, mas foi o momento da viagem em que eu mais fiquei EXAUSTA!





Luísa preparando para descer e, depois, ao final da descida de tríneo no Cerro Otto


A pista de tríneo tinha, principalmente, crianças entre 3 e 8 anos. Vi ao redor que tinha outras atrações por ali, como a descida de bóia. Vi também pontes pendentes, lugares lindos para fotografar... mas Luísa ficou o tempo inteiro na pista de tríneo se acabando de tanto se divertir! Depois que conheci o Cerro Otto e as possibilidades de diversão para criança, digo sem medo de errar: para criança bem pequena, como a Luísa, aos 3 anos, o Cerro Otto é mais bacana que Piedras Blancas. Isso porque as pistas são menores, mais adequadas para a idade, lá em Piedras Blancas os pequenos ficam restritos à pista infantil que é pequena. A do Cerro Otto é mais radical sem ser exageradamente grande a ponto de impedir a brincadeira dos menores. 





Luísa subiu e desceu um milhão de vezes. Ao contrário das crianças um pouco maiores, ela não conseguia carregar o tríneo pela escadaria ao lado da pista para voltar ao topo. Resultado: eu colocava ela na fila pra descer, corria para o fim da pista, depois subia de novo carregando o tríneo. Isso repetido um zilhão de vezes! Quase morri!!! Literalmente! Mas valeu muito ver a alegria dela, foi pra isso que a levei a Bariloche, para escorregar na neve! E o melhor lugar onde ela fez isso foi no Cerro Otto, as atrações disponíveis por lá estão aqui neste link (que só estou vendo agora, antes de chegar lá não sabia que tinha tudo isso!). Recomendo muitíssimo o lugar: lindo e cheio de brincadeiras para os pequenos, sem a grandeza de Piedras Blancas mas - talvez por isso mesmo - ideal para quem vai com crianças menorzinhas.

Vista espetacular da Confiteria Giratória, no Cerro Otto. O vidro atrapalha a foto, mas é lindo demais!
CONFITERIA GIRATÓRIA: Depois do tríneo, enfim fomos para a Confiteria Giratória onde pretendíamos almoçar. Porém, já passava das 16 horas e a cozinha já estava fechada para o pedido de pratos, só estavam servindo lanches. Então pedimos um lanche hamburguesa e um chocolate quente, gastamos 260 pesos. Luísa adorou o fato do restaurante "girar". É bem devagar e permite apreciar a vista a 360 graus, com o lago Nahuel Huapi e as montanhas emoldurando o cenário.

Um parênteses agora para a primeira e única mega fila que pegamos em Bariloche. Eu estava com muito receio de perder muito tempo em muitas filas porque, pelo que eu li enquanto montava o roteiro, é tudo sempre lotado. Não sei se foi sorte ou foi por ter ido em agosto quando já não é tão lotado, mas nem em Piedras Blancas (ok, lá cheguei mega cedo pra fugir das filas) e nem em Cerro Catedral eu enfrentei filas... já pra descer o teleférico do Cerro Otto sim. Mais de meia hora de fila com Luísa mega cansada depois de encarar dois cerros na sequência, um milhão de estudantes em filas preferenciais, nossa, foi bem cansativo. Mesmo assim valeu, gostamos demais do Cerro Otto.

Dica: para voltar da base do teleférico do Cerro Otto para o centro de Bariloche tem um ônibus gratuito. Porém, como eu estava exausta e teria que devolver nossas botas e óculos de neve na loja antes das 19 horas, não teria tempo de voltar de ônibus. Chamei o remis do Ernani para nos levar até a Patagônia Showroom, onde devolvemos tudo, o carro ficou nos esperando na porta e - de lá - voltamos para o hotel com o remis (descalças hahahah já que devolvemos as botas).

Chegando no hotel, banho de mil horas na banheira e Luísa nem quis sair pra jantar. Comemos coisas que tínhamos comprado no mercado e logo dormimos mortas de cansaço!

SEXTA-FEIRA (04/08)

Café da manhã no hotel enquanto decidíamos o roteiro do dia

No meu roteiro, eu havia deixado esse dia em aberto, com a possibilidade de voltar para Piedras Blancas se fosse muito super ultra blaster legal pra Luísa (não foi tudo isso) ou conhecer outro cerro. Estava entre o Cerro Bayo, que teria esquibunda pra Luísa, e Cerro Campanário - que segundo a revista National Geographic tem uma das sete melhores vistas do mundo, mas não teria brincadeiras pra Lulu! Se fosse ao Cerro Bayo precisaria ter ficado mais um dia com a roupa de neve que havíamos devolvido no dia anterior, já que Luísa já tinha demonstrado cansaço com a neve e só falava em patinar no gelo de novo. Resolvi então que nossa última manhã em Bariloche seria para conhecer o Cerro Campanário.


No teleférico do Cerro Campanário, friaca daquelas!

CERRO CAMPANÁRIO: Para chegar ao Cerro Campanário, é possível ir de transporte público, que foi nossa opção como sempre pela economia. Carregamos o cartão Sube com o valor necessário para ir e voltar de lá (não lembro o valor!) e fomos para a Rua Moreno, onde o ônibus pra lá também passa, porém em outro ponto diferente do bus pra Cerro Catedral. Perguntei ali mesmo, para uma pessoa que esperava o ônibus, qual era o número da linha para Campanário, ele me orientou a pegar a linha 10 e fomos. O dia estava mais fechado e frio que os demais, batemos o queixo na espera pelo transporte. O acesso ao Cerro Campanário é relativamente perto do centro, na Avenida Bustillo, para quem preferir a comodidade dos remis, não deve sair cara a viagem. Para subir de teleférico só eu paguei pelo ticket, 220 pesos argentinos, Luísa teve passe livre. Havia pouca neve no Cerro Campanário, um lugar que vale mesmo pela vista incrível - nesse dia um pouco prejudicada pela névoa que não foi embora mesmo depois que já não era tão cedo. Caminhamos pela trilhazinha que leva aos mirantes, tiramos fotos e, por conta do frio congelante desse dia sem sol, não ficamos muito tempo por lá. Descemos admirando a vista incrível pelo teleférico e já fomos para o ponto de ônibus esperar o transporte de volta para o Centro.


Nesse dia percebi o quanto o clima interfere no roteiro de cada dia: névoa atrapalhou a vista do Cerro Campanário

Registro da visita ao Cerro Campanário

















À esquerda, vista do Cerro Campanário com neve, a mata e o lago ao fundo. À direita, Lulu vivenciando a realidade do viajante: comendo batata comprada no mercado enquanto espera o busão!


PISTA DE PATINAÇÃO UNO (RAPA NUI): Voltamos do Cerro Campanário com Luísa matracando na minha orelha que queria patinar no gelo de novo. Como sabia que Bariloche tem duas pistas, procurei aquela que ainda não conhecíamos, a Uno. Funciona na Rua Mitre, dentro da loja de chocolates Rapa Nui. É menor, tem um público quase que totalmente infantil, mais estrutura de equipamentos, porém achei mais difícil pra Luísa patinar ali. Isso porque a barra lateral onde ela se apoia para dar as primeiras deslizadas antes de sentir mais estabilidade não permite que você "se agarre" a ela. Na foto abaixo dá pra entender, o apoio termina na parede e, em alguns trechos da pista, praticamente não há onde se apoiar. Por isso preferimos a pista do lago que tem a vista maravilhosa e sai mais em conta, já que custa 200 pesos por tempo indeterminado. Na pista Uno foram 150 pesos por uma hora de patinação. 


Lulu feliz da vida patinando mais uma vez



RESTAURANTE FRIENDS: Estava com muita dúvida sobre onde almoçar já que tive várias indicações de bons restaurantes na área central, mas ao passarmos em frente ao "Friends" Luísa quis entrar na hora. Não tenho fotos boas de lá, mas o teto e as paredes são forrados de penduricalhos, bibelôs, brinquedos de todos os tipos, bonecos, trenzinhos, é lindo lá dentro. Pedi apenas macarrão pra Luísa e um chopp pra mim (a única foto que tenho, aliás, é do chopp, postada no stories!). Experimentei o macarrão dela e era apenas ok. Não lembro quanto paguei, só consigo colocar o valor daquilo que paguei no cartão (porque aí vejo aqui na fatura) ou o que guardei a nota (algumas se perderam no meio da papelada infinita que trago sempre das viagens). Lembro que achei um pouquinho acima dos demais restaurantes que havia olhado cardápios e preços na Rua Mitre. Vale pelo encantamento das crianças em estar no ambiente lúdico do restaurante. Ah, o chopp estava gelado e delícia também!




CHOCOLATERIAS DEL TURISTA / MAMUSCHKA / RAPA NUI: Li sobre as chocolaterias de Bariloche e recebi recomendações principalmente dessas três. De cara gostei da Chocolateria Del Turista porque a vitrine e toda área interna é super infantil - o que distraia a Luísa enquanto eu babava nas delícias - e porque todas as vezes que entrei tinha degustação hahahhaha (pobre é uma desgraça, pobre e gordo é uma desgraça maior ainda!). Bom, já havia conhecido a Chocolateria Del Turista em outros dias, por isso, nessa nossa última tarde, percorri as outras duas antes de decidir onde comprar chocolatinhos para trazer pra casa. Achei a Mamuschka pouco convidativa. Parece mais sofisticada, acho que isso assustou um pouco, só olhamos mas não compramos nada lá. Já Rapa Nui é incrível, mesmo assim já estava inclinada a comprar coisas que vi na Del Turista, por isso, na Rapa Nui só comprei alguns alfajors e tranças de chocolate pra comer na hora. Gastei 158 pesos. Mais do que a loja propriamente dita, o que é de BABAR na Rapa Nui é a área da confiteria, onde as coisas parecem deliciosamente deliciosas. Luísa pediu um picolé com chocolate em volta (só porque era da Hello Kitty), mas tem sobremesas, cafés e sorvetes muito mais elaborados por lá. Por fim fui na Chocolateria Del Turista e lá sim comprei caixas de alfajor, chocolates avulsos, uns bichinhos com doce de leite dentro que Luísa amou. Não sei quanto gastei, mas não foi muito não, trouxe só mesmo pra dar pra mãe, pai, irmão... e pra nós comermos! De tudo o que comprei e provei recomendo muito o coração com doce de leite dentro e uns chocolates com recheio de frutas vermelhas, tinha com chocolate preto e branco. O branco é e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r. O alfajor também. Não sei dizer qual é o melhor chocolate, todos que comi estavam maravilhosos.


Destino de fim de tarde: avenida costanera de novo e de novo e de novo, meu lugar preferido no centro!


Depois das chocolaterias, carregadas de sacolas, passeamos pelo Centro até o fim da tarde. Olhamos lojas, Luísa dançou na porta de todas que tinham música, depois fomos para o parquinho perto da igreja e - por fim - não resisti e voltamos ao lago. Que lugar mágico, que lugar lindo! Ficamos por lá até quase anoitecer, com o celular já arriando a bateria, tiramos poucas fotos boas, mas nunca vou esquecer esses momentos!












SOBREMESA COPA DE ALBERTO: Sim, a gente já tinha comido bastante doce nas chocolaterias durante a tarde. Sim, Luísa estava mega cansada e nem queria sair pra jantar naquela que era nossa última noite em Bariloche. Siiim eu tinha muitos outros restaurantes diferentes que eu gostaria de conhecer, mas todos eram mais distantes do hotel - o que significaria que, com Luísa cansada, eu teria que carregar no colo. Então fomos jantar de novo no El Boliche de Alberto Pasta, na esquina do nosso hotel. Mais uma massa muito boa, mais uma Quilmes pra mim, mas dessa vez pedimos a sobremesa recomendada em vários sites que consultei sobre Bariloche. Essa é a MEIA TAÇA da Copa Alberto, ou seja, metade da taça tradicional desse doce com sorvete de creme, chantilly, doce de leite e framboesas. É uma delícia, recomendo! 







SÁBADO (05/08)

TAXA MUNICIPAL DO HOTEL: Li bastante gente perguntando sobre uma taxa municipal cobrada pelos hotéis de Bariloche e ela existe. Fui avisada sobre ela na recepção, ao fazer o check-in que seriam 60 pesos cobrados por dia durante três dias, depois desse período de hospedagem não haveria mais cobrança. Li muita gente em dúvida se essa taxa seria ou não obrigatória. Acredito que não pois, ao avisar, no check-out, que eu só tinha cartão ou reais (R$) para pagar a tal taxa, o recepcionista disse que eu não precisava pagar. Sem querer, me dei bem! Eu tinha mesmo a intenção de pagar, mas como sou totalmente "de humanas" meus dólares e pesos tinham acabado na tarde anterior. Sorte de principiante!

DO HOTEL PARA O AEROPORTO: Às 8h15 o nosso remis fiel Ernani estava nos esperando na recepção do hotel. Como contei, eu não tinha mais pesos argentinos e nem dólares. Avisei isso ao remis no dia anterior, quando combinei o horário com ele. Não houve problema, ele aceitou o pagamento em reais, mas ficou mais caro. Em pesos, na ida - aeroporto para hotel - paguei em pesos o equivalente a cerca de 60 reais. Na volta ele cobrou 90 reais. Fica a dica então pra quem se der melhor com números do que eu e meu cérebro loiro.

RESTAURANTE NO AEROPARQUE: Não vi nenhum lugar, no aeroporto, tanto na ida quanto na volta, onde eu pensasse: aqui tem um almoço bacana pra Luísa. Fui então - na ida e na volta - na Academia de la Pizza. Na ida pedimos macarrão (200 pesos) e água (55 pesos). O macarrão estava completamente sem sal. Xuxei queijo ralado nele e Luísa comeu rsrsrs (pobre Lulu). Na volta foi melhor. Pedimos uma pizza napolitana individual (140 pesos) e um suco de laranja (95 pesos). Então, quem for comer lá, a dica é ficar na pizza.

VÔOS DE VOLTA: Tudo tranquilo, sem problemas com horários, nem imigração.

Carinha de acabadas, porém felizes ao término da viagem!

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

SUGESTÃO DE ROTEIRO: Se eu fosse fazer a viagem sabendo de tudo o que sei agora, recomendaria o seguinte em termos de roteiro nos cerros para quem vai com criança entre 3 e 4 anos (lembrando sempre que as condições climáticas podem mudar tudo):

- CERRO OTTO (onde Luísa mais se divertiu)
- CERRO BAYO (que fica na Villa la Angostura, a 9 km de Bariloche, ignorei por pensar que era fora da cidade e por achar que encontraria mais atividades em Piedras Blancas, o que não aconteceu. Piedras Blancas é enorme, já Cerro Bayo - apesar de eu não ter ido, agora sei - que é mais intimista, com infra-estrutura melhor, me corrijam nos comentários se estiver falando besteir)
- CERRO CATEDRAL (porque simplesmente não dá pra deixar de conhecer e porque lá a neve é fofinha, apesar de não ter muitas brincadeiras pras crianças lá, elas piram na neve, nos teleféricos, no visual).

(Lembrando que de cinco anos em diante, Piedras Blancas de primeira é sem dúvidas a melhor opção!)

RESTAURANTES QUE ME RECOMENDARAM MAS NÃO FUI PORQUE NÃO DEU: Linguini / La Parrilla de Julian / Le Marmite / Cervejaria Manush

SOBRE LOS HERMANOS: sempre ouvimos que os argentinos são rudes, que o atendimento por parte deles é ruim... não concordo, não pela minha experiência em Bariloche. Fui bem atendida em todos os lugares, com exceção de uma mulher no Cerro Catedral pra quem eu falava "crédito" e a doida passava "débito" no cartão rsrsrsrs. De resto me senti muito bem atendida. Em Piedras Blancas, por exemplo, minha filha derrubou a luva no meio do morro na subida do teleférico, teve uma crise de choro porque queria a maldita luva, o operador do teleférico mandou um rapaz descer o morro e procurar. Ele não tinha obrigação nenhuma de fazer isso, mas fez... e achou a luva! Esse é só um exemplo do quanto todos foram solícitos principalmente ao me verem sozinha com minha filha pequena, los hermanos são tudo de bom (ok, tem sangue argentino correndo aqui nas minhas veias rsrsrs mas não tenho mesmo do que falar).

VALEU A PENA??? "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena" 😂😂😂 ! Batido, but true! Antes de comprar as passagens me perguntei muito se não era cedo demais para levar a Luísa pra ver a neve, se ela aproveitaria mesmo sem poder esquiar e nem ir nas pistas de esquibunda maiores, se ela suportaria o frio... se não estava jogando dinheiro fora. Bem sinceramente, beeem sinceramente (porque já avisei antes que sinceridade é meu "defeito"): se alguém me perguntar, eu responderei que é melhor esperar a criança fazer cinco anos. Lulu aproveitaria um milhão de vezes mais com cinco anos pelas atrações disponíveis para a idade. Porém, como também já disse, rolou pra mim essa coisa de ter um dinheirinho inesperado agora e o fato de querer muito gastar esse money realizando um sonho da minha filha, que mais tarde sabe-se lá Deus se poderei realizar. Então pra mim - sim - valeu muito a pena 💛 ! Opa, mas não mudei de idéia não hahahahah, pelo contrário: viajar com criança é um trampo, vale sim cada sorriso, vale sim cada história pra contar, mas sigo com a mesma opinião de que esse tipo de viagem tem que ser para a criança. Voltei de Bariloche morrendo de vontade de esquiar, mas não era "minha vez"! Que a próxima viagem seja... e vai ser! 

Até mais! 😉