sábado, 17 de março de 2018

Dramas de uma geminiana que quer viajar

Acredito que o título desse post mereceria um adendo: "Dramas de uma geminiana SEM GRANA que quer viajar". Porque se vc tem dinheiro a rodo, é fácil decidir um destino. Tudo bem se você estiver em dúvida entre África do Sul e Amsterdã, Grécia e Canadá. Com dinheiro você simplesmente vai conhecendo tudo, só tem que decidir a ordem dos lugares onde ir, assim como pode repetir alguns destinos sem o risco de comprometer outros. Já quando vc sabe que a grana é curta e contada e a vontade de viajar pra todo lugar é imensa, aí se tem um problema. Problema maior ainda se vc é do signo de gêmeos e não consegue decidir - sem dilemas infinitos - nem aquilo que vai jantar logo mais. Só esse ano já vivi dois dramas de viagem e, apesar de não acreditar lá muito em signos - vejo a geminianice em cada partícula do meu ser. Por isso vim escrever sobre isso (não sem antes sofrer por não saber se devia fazer meu roteiro de viagem ou se parava pra escrever no blog... affe).



"Todo geminiano precisa de movimento, de novidades, de tudo o que seus olhos possam apreciar".

"São como as borboletas - leves e rápidas, precisam sentir o aroma de todas as flores. Sua mente funciona como um raio - é ágil, sagaz e astuta". 

"Estabilidade é uma palavra que não faz parte de seu dicionário. São como os ilusionistas, movem-se e mudam de ideia e opinião junto com tudo na vida".

Digite "signo de Gêmeos" no Google e eis algumas definições que vão aparecer. Aí eu, que prefiro o ceticismo às certezas absolutas, me pergunto como não acreditar em astrologia? Sou uma geminiana cuspida e escarrada, por mais que meu ascendente em Touro me traga um pouco para o chão, sou a própria descrição do signo de Gêmeos e adoro isso! Primeiro porque é regido pelo elemento ar, feito pra voar! Segundo porque é o signo das comunicações. Enfim, me identifico e curto muito o meu signo... mas como tudo tem dois lados - geminianos que o digam! - tem aquela parte que é uma sofrência sem fim. Sou um poço de indecisão.

Poderia descrever todas as mil situações em que essa característica da personalidade geminiana interfere, mas vou direto ao ponto do blog: viagens. Quero viajar pra todo lugar. A toda hora. De todas as formas. Não dá. Tem que escolher um mísero destino a cada dois anos (já que estabeleci que vou viajar sozinha num ano e fazer uma viagem escolhida pela minha filha no outro ano, intercalando). Aí começa o dramalhão mexicano.

Em 2017 - quando retomei as rédeas da vida depois de um período de mudanças - a viagem foi para minha filha: Bariloche. Fomos em agosto e, assim que voltamos, eu já tinha na cabeça o estilo de viagem que eu iria fazer neste ano: América do Sul (pra não gastar muito), um lugar fora das capitais (nada de Buenos Aires ou Montevidéu, por exemplo), algo completamente novo aos meus olhos. Estava entre Atacama e Machu Picchu, Machu Picchu e Atacama. Eis que, em outubro, surge uma super promo de passagem aérea com vôo direto para Calama, aeroporto mais próximo do Atacama. Hesitei um pouco... mas comprei. 

Não havia pesquisado quase nada sobre o destino, não tinha nada em mente, mas comprei. A data: fim de maio de 2018, logo depois do meu aniversário, viagem de presente pra mim! Ok, eu ainda tinha bastante tempo pra pensar em tudo... e se tem uma coisa que geminiano faz nessa vida é pensar! Pensa, estuda, lê, relê, fala com um, fala com outro, fica com aquilo matutando dia e noite na cabeça em meio a milhões de outros pensamentos. Cansa, viu? Mas é assim que "somos" - os geminianos, em geral.

Sei que o ano terminou e logo estava chegando o Carnaval, minha festa preferida no mundo inteiro! É por isso que, além da viagem do ano, tem sempre o Carnaval na minha vida, que é sempre uma escapada mais curta que uma viagem de verdade porque divido o feriado com o pai da Luísa: ele fica com ela três dias e eu fico com ela três dias. Assim os dois curtem o Carnaval mas também aproveitam a festa com ela. 

Desde o ano passado, quando conheci o Carnaval mais maravilhoso da vida, no Rio de Janeiro, estava na minha cabeça que este ano eu iria repetir a dose: iria pra lá nos meus três dias sem Lulu. Virou o ano, tipo 02 de janeiro, pesquisei preço de passagem, hostel... comprei. Logo depois começaram a pipocar os ensaios de blocos de Carnaval em São Paulo, vários eventos bacanas antes e durante o Carnaval. Algo meio "novo" por aqui, já que foi de uns dois anos pra cá que começou a popularizar isso de bloquinho de rua. Aí, já com tudo fechado pra ir pro RJ, bateu aquela geminianice: será que eu não devia curtir o Carnaval por aqui este ano?

No ano passado, fiz assim: curti o pré-carnaval em SP e o Carnaval propriamente dito no Rio, o que foi perfeito! Só que neste ano eu tinha um casamento longe no mesmo fim de semana do pré-carnaval, então só tinha os três dias do Carnaval pra aproveitar. Vários amigos combinando a ida aos bloquinhos de SP, várias coisas bacanas surgindo por aqui e eu sonhando em me dividir em duas para estar aqui e lá aos mesmo tempo. Que vida!

Pra ajudar na indecisão, a violência estava comendo solta nos telejornais com notícias sobre o Rio de Janeiro. E eu não posso morrer né, tenho uma filha pra criar (antes da Luísa eu não tinha medo de morrer, sério)! Cheguei a ver como seria para alterar as passagens, a multa pra cancelar a reserva do hostel, enfim, causei, quebrei a cabeça, perdi o sono. Até decidir manter tudo como estava pra não perder dinheiro. Fui para o Rio de Janeiro e foi maravilhoso, sensacional, inesquecível (não vi nada da violência vendida pela mídia, pode ter sido sorte, mas não vi). Só que até bater o martelo e definitivamente ir, foi um perrengue na mente geminiana!

Ok, passado o Carnaval já voltei a mirar minha próxima viagem, fim de maio. Comecei enfim a pesquisar mais sobre o Atacama. Legal. Bacana. Lugar incrível. Mas gente... Machu Picchu parece ser tão demais, né? Voltou o drama da indecisão. Não devia ter comprado a passagem no impulso só por causa da promoção! Ah, quer saber? Já tá feito, vou sim pro Atacama. Será? Eu pensava: se eu for pro Atacama esse ano, aí no ano que vem é viagem pra Luísa (não levaria ela pra Machu Picchu, viagem pra ela é viagem com atrativo infantil), aí no ano seguinte até poderia fazer Machu Picchu mas... América do Sul, de novo?

Depois de fritar o cérebro com tudo isso, pesquisando Atacama e Machu Picchu, conversando com quem já foi, decidi. Ja tem alguns dias que paguei a multa de alteração de destino da companhia aérea e está definido: dia 28 de maio embarco para Machu Picchu! Ufa, que drama, que sofrimento, precisava de tudo isso? Pois é, talvez se eu fosse ariana ou escorpiana seria mais simples, mas com esse meu "ser ou não ser, eis a questão" da vida geminiana, nunca é diferente! Nunca é "sem emoção".

Agora, com o Guia do Peru emprestado por uma grande amiga em mãos, com várias indicações de sites e relatos de viagem em milhões de abas abertas no meu navegador, vou começar a fazer meu roteiro. Aí começa tuuudo de novo: este ou aquele passeio? Este ou aquele hostel? Indecisões deliciosas de quem está - enfim - com destino definido!!!!

Com vocês é assim? Como decidem as viagens? Primeiro acho que é o dinheiro que se tem pra gastar que define né, comigo é o primeiro determinante (fazer o que?). Só que são muitas as variáveis que vêm depois disso! É por isso que vim aqui escrever para enfim liberar a adrenalina de semanas de indecisão! Que venha Machu Picchu!

:)





domingo, 31 de dezembro de 2017

Você não é todo mundo!

Você está aí, em casa, em pleno 31 de dezembro, navegando nas redes sociais e parece que todo mundo está viajando menos você??? Como bem dizia a sua, a minha, todas as mães do universo: você não é todo mundo kkkkkk!!! Você não é MESMO todo mundo mundo, mas tem uma outra coisa que eu vou te contar: é uma minoria que viaja! É que quem viaja faz overposting mesmo e com razão, mas acredite... tem muito mais gente em casa do que passando o Reveillón num lugar super ultra bacanudo! Aí como eu sou uma dessas pessoas, vim escrever... antes que o ano termine! 


Essa foto acima é da manhã de hoje do alto do Pico do Urubu, na minha cidade mesmo, Mogi das Cruzes, o máximo de turismo que fiz neste 31 de dezembro. Esse lugar é como um refúgio, onde a gente se sente pequeno diante da cidade que se agiganta quando vista de cima. Se Mogi tem cerca de 400 mil habitantes, quantas Mogi das Cruzes cabem no estado... no país... no mundo??? Nem sei porque sou de humanas e não sei calcular, mas cabem muitas cidades como esta ao redor da Terra. A comparação é só pra lembrar que - não - você não é a única pessoa no mundo que não viajou no Reveillón! São muitaaas pessoas no mundo que vão entrar em 2018 em suas próprias casas ou no máximo na casa de um amigo ou parente ou vizinho ou com aquela Sidra Cereser honesta na calçada. 

Aliás, quantos e quantos reveillóns, na infância e adolescência, não passei na calçada! Acenando para os carros que passavam buzinando para desejar feliz ano novo. Parece que antes, quando não existiam redes sociais, era ok não viajar, né? A gente não sabia bem ao certo quem estava na mesma que nós - com a Cereser honesta na calçada - ou quem estava na praia ou em outro lugar. Só que aí vieram as redes sociais e a gente fica com essa sensação do "todo mundo viajou menos eu". Uma grande besteira mas que já me fez sofrer, hoje não mais! Já explico o porquê.

Quando eu trabalhava com jornalismo diário (que saudade!), eu fazia plantões de fim de ano (não tanta saudade). Ou no Natal ou no Ano Novo eu certamente estaria trabalhando, então nem sempre dava a sorte da folga cair no Reveillón ou dos dias livres serem suficientes pra encarar a loucura de viajar nesta época com estradas cheias e tals. Então era super sofrido essa coisa de ver os "não-jornalistas" viajando e eu sem nem poder pensar nisso. Claro que isso foi no início dos 16 anos da minha vida de plantões. Com o tempo acostumei e passei inclusive a refletir sobre o quanto NÃO valia a pena viajar no Reveillón pelo fato de "todo mundo" (menos eu!) estar também viajando e ser sempre aquele caos pra ir e voltar de onde quer que seja. Isso sem falar, é claro, nos preços que ficam absurdos na alta temporada.

Ok, pode parecer "recalque" mas juro que não é, há bastante tempo - se não me engano - escrevi sobre isso aqui (caracas, agora que estou vendo, é de março de 2013 esse post, faz tempo). Então já tem um tempo que sou o tipo de viajante que espera as baixas temporadas para poder aproveitar melhor, gastando menos e se estressando infinitamente menos, especialmente se o destino for praia. Se não dá vontade de estar em algum lugar bacanão nesses dias? Super dá! Mas tudo bem se não rolar, outras oportunidades virão. Eu, na real, queria sempre poder estar viajando, em fim de ano ou não, mas visto que isso é cada vez mais distante da minha realidade consigo ficar tão, mas tão em paz estando em casa que mal me reconheço!

Semanas atrás, conversando com alguém sobre o fim de ano, essa pessoa mencionou sobre a "pressão social" de todos perguntarem para onde ela viajaria no Reveillón e sobre o quanto ela ficava mal por estar sem grana pra viajar. Então acho que é isso. É a "pressão social" que nos deixa com essa sensação do "todo mundo, menos eu", o que é algo tão, mas tão, mas tãaaaao nada a ver que recomendo fortemente que todos se libertem disso!

A maioria dos meus Reveillóns passei em casa. Seja na calçada quando criança e adolescente, seja nos tantos plantões que fiz ou mesmo agitando uma festa com os amigos que também estiverem na cidade pra não passar a entrada do ano em branco (é o que vou fazer hoje). Então é isso que eu queria dizer nesse último dia do ano: mais vale uma Sidra Cereser honesta na calçada, como coração tranquilo, do que um prosecco na beira da praia só porque "todo mundo viaja". Você é todo mundo? Eu não! ;) 

Feliz ano novo de novoooo! Partiu 2018!


sábado, 30 de dezembro de 2017

Adeus ano velho, feliz ano novo...

... que as viagens se realizem, no ano que vai nascer! Penúltimo dia do ano e essa musiquinha martela na cabeça (com livre adaptação na última frase). A garoa insistente desde cedo reforça o convite à reflexão sobre o ano que passou e os pensamentos sobre 2018 que vem chegando. Vejo um post no Facebook que resume aquilo que - pra mim - conta como "balanço" não só de um ano, mas de uma vida: se você teve saúde, se você teve amigos verdadeiros, sexo que valeu a pena, comida da boa, viagens bacanudas, teve um ano bom! O que é um bom ano se não aquele em que se tem tudo isso e amor no coração? Minha retrô 2017 conta com esses cinco itens e as previsões para 2018 são otimistas! Textinho de fim de ano porque sim!


Não é que 2017 foi o ano em que voltei a escrever no blog??? Que alegria começar esse texto lembrando disso! Reviravoltas da vida à parte (já explicadas aqui), termino o ano feliz por ter retornado pra cá! Foram só nove postagens, assim como foram poucas viagens em 2017, mas foram o suficiente para eu olhar para o ano que termina como um ano de "renascimento" depois de longos anos de aprendizados e mudanças. Ainda há muito a aprender e a mudar, sempre, mas voltar a viajar "como deve ser" é pra mim o que conta na hora de fazer aquele sagrado balanço de fim de ano que acho que todo mundo faz, mesmo que mentalmente. A vida é bem louca e nessa de se buscar um propósito para essa existência eu ainda caminho a passos de tartaruga (sem pensar em desistir), mas como até então viajar é o que mais me faz feliz, meu saldo de 2017 é extremamente positivo, pelo menos para minha realidade. Vamos a ele.

Comecei o ano na Praia de Copacabana, quer mais o que? Carnaval, lá estava eu no RJ de novo! Não me conformo quanto tempo levei nessa vida pra passar um Carnaval no Rio de Janeiro, mas enfim... em 2017 eu estava lá e foi incrível. Não que Carnaval seja considerado "viagem", Carnaval é Carnaval, mas tá valendo! Em julho fiz a primeira viagem "de verdade" com a minha filha, pra Bariloche. Em setembro - tcharam! - fui de novo para o Rio de Janeiro pra fazer algo que também era absurdo que eu nunca tivesse feito, que era viver o Rock in Rio. Outra coisa que não é bem uma viagem mas que conta como essa retomada à vida de quem veio ao mundo pra ver o novo. Ok, faltou uma viagem agora, no fim do ano, pra fechar 2017, mas não deu. De qualquer forma, quando penso em 2017, são esses acontecimentos que vêm à mente como aquilo que fez o ano ser bom, muito bom, aliás!

Viagens são marcos. Na minha cabeça, viajar é o que pontua um período e outro da vida. Tanto que estou aqui tentando lembrar se fiz alguma viagem em 2016... e, como não fiz, parece que foi um ano "vazio". Ok, nenhum ano, nenhum mês, nenhum dia, nem um instante sequer é vazio. O ano de 2016 foi um ano de extrema mudança e que exigiu muito de mim em todos os sentidos, por isso, acabou sendo um ano de "resguardo", sem viagens, talvez seja esse o motivo pelo qual eu mal me lembro dele.

Engraçado como meu cérebro se programou a pensar dessa forma: a lembrar de cada ano pelas viagens que fiz. É por isso que, ao listar os planos para 2018, a primeira coisa que me ocorre é planejar viagens! Se 2017 foi o ano de retomar esse que é meu maior prazer, espero que 2018 seja o ano de consolidar essa intenção de fazer aquilo que eu mais amo na vida. Claro que tanto 2017 quanto 2018 tiveram e terão muito mais... tem minha filhota, tem trabalho, tem o universo ao redor com quem tento ser e fazer o meu melhor... mas - repetindo a abertura desse texto - como não desejar os cinco itens da imagem acima como o mínimo pra se ter um ano bom?

Ter saúde pra desfrutar e encarar esse mundão. Bons amigos pra dividir agonias, alegrias, ideias, cervejas. Orgasmos sim porque... né? Apreciar comida gostosa porque se privar disso é pura hipocrisia. Pra completar, viagens fodaaaas pra fazer mais um ano valer a pena! No fim das contas o que entra no balancete é isso aí! Pode parecer pequeno diante de tantas coisas que estamos vivendo quando olhamos o pra esse mundão de meu Deus com tantos absurdos e injustiças que precisam do nosso posicionamento para serem mudados... por isso acrescentaria "fazer o bem" a essa listinha despretensiosa mas cheia de segundas - e terceiras - intenções!

Que assim seja e que venha 2018!

domingo, 5 de novembro de 2017

Projeto verão... "projeto verão"... projeto verão?

Aquele fim de feriado prolongado do início de novembro, quando a gente já sente o "cheirinho" do verão no ar, e já tem muita gente pegando praia ou pensando em aproveitar de alguma forma o calor. Como eu - é claro - não viajei no feriado, vim aqui falar de projeto verão, na verdade sobre três deles: o projeto verão possível, o "projeto verão" necessário - propositalmente entre aspas - e o projeto verão dos sonhos, que vai ficar pra uma outra encarnação (se isso existir, é claro). Banalidades só pra não perder o costume de escrever um pouquinho e refletir um poucão e quem sabe, talvez, por que não, despertar alguma reflexão tanto em quem pensa parecido comigo quanto em quem discorda completamente. Eu mesma não tenho certeza se concordo comigo ou não, tem dia que sim, tem dia que não, mas esses dias tô aí pensando nesses "projetos" então bora escrever. 


Raramente uso "fotos frias" para ilustrar o que escrevo, geralmente uso fotos tiradas por mim e não fotos como essa aí acima, que você encontra similares aos montes ao digitar "projeto verão" no Google. Aliás, nem precisa ir a nenhum site de busca, uma olhada rápida nas suas redes sociais e você encontra notícias a respeito ou foto de algum amigo (a) mostrando que já está com tudo em cima para o verão. Eu já perdi a conta de quantas vezes entrei nesse tipo de "projeto verão", não me recordo de algum momento da vida em que eu não estivesse de dieta ou pensando que precisava de dieta ou sonhando em conseguir seguir a tal dieta... é como se eu já tivesse nascido de dieta.

Pois bem, atualmente não estou no "projeto verão". Não nesse "projeto verão" muito bem ilustrado pela foto acima. Não é que eu ache que eu não precise, pelo contrário. Infelizmente ainda sou - e quem não é? - da geração que ensinou a mulher a se envergonhar do próprio corpo, que cresceu ouvindo que estava gorda e que enraizou isso de tal forma na própria alma que não há o que tire a ideia do consciente, do inconsciente, do subconsciente e de todos os níveis de consciência que possam existir. Ainda assim, não. Não estou no "projeto verão", termo que estou usando entre aspas e já explico o porquê.

Comecei aqui em casa um projeto verão REAL (sem aspas). Meu projeto verão possível! Sim, encontrei - enfim - um projeto verão possível pra minha vida e do qual me orgulho demais! Ele é muito simples e é por isso que estou apaixonada por ele. O simples tem me encantado! Meu projeto verão consiste em colocar chuveirão e espreguiçadeira aqui no quintal de casa. Fim. Só isso mesmo! Nada mais. Aí neste fim de semana veio o montador do deck onde vai ficar o chuveirão pra instalar a estrutura de madeira e quando vi meu projeto verão possível começar a tomar forma fiquei muito feliz! Por enquanto só tem o deck, ainda faltam o chuveirão e as espreguiçadeiras, mas finalmente algum projeto verão nessa minha vida vai dar certo!

Besteira, né? Ok, no fundo eu também acho... até porque já morei em casa com piscina e tudo o que se tem direito... mas como diz um quadro que ganhei da minha prima e que está pendurado também no meu quintal: "sempre simples, mas sempre com significado". E esse projeto verão tem significado, tem essência, tem razão de ser. E é aí que entra o porquê daquele outro "projeto verão" ter se tornado um termo entre aspas pra mim. Ele é vazio. Ele é raso. Ele não deveria ter importância porque o ideal de um corpo magro ou sarado ou seja lá o que for é tão... pequeno. Quanto mais me afasto da valorização da aparência (e me afastei drasticamente disso nos últimos anos, em vários sentidos), mais isso se apequena.

Aí alguém vai dizer: mas Lenina, vc fala isso mas vive de dieta, vc fala isso mas vive malhando pra tentar perder peso, vive reclamando do seu corpo. Sim, continuo! Primeiro porque eu sou a contradição em pessoa, fato! Em segundo lugar porque, como disse alguns parágrafos acima, isso está enraizado em mim, infelizmente, lamentavelmente. Juro que boa parte da terapia que sempre fiz na vida foi pra cuidar disso. A diferença é que antes eu meio que "me orgulhava" por estar num "projeto verão". Hoje eu tenho vergonha de admitir que - sim - continuo tentando emagrecer uns quilos aí. Isso me soa tão, mas tão superficial diante de tudo o que cada um guarda dentro de si próprio e diante de todas as questões que essa vida nos apresenta, que a palavra vergonha é mesmo a que melhor explica como encaro hoje em dia o "projeto verão" (ou qualquer tentativa de seguir padrões físicos seja no verão, no inverno ou em qualquer estação do ano).

Aí é por isso que tô chamando esse "projeto verão" aí (entre aspas) de "projeto verão" necessário. Porque - sim - é necessário estar bem consigo mesmo, é necessário cuidar da saúde... mas sem essa exigência e exibicionismo dos "projetos verão" das fotos do Google ou da nossa timeline. É assim que tenho pensado ultimamente, torço pra continuar pensando assim (porque eu mudo mesmo toda hora hahahaha) e torço mais ainda pra conseguir ser cada vez mais coerente com o meu pensar x o meu agir. Porque essa é a parte mais difícil, né? Afinal, tô aqui fazendo esse discurso e pensando que amanhã é segunda-feira, dia de recomeçar a dieta. Daí a minha alegria por ter um projeto verão possível, que tira o foco dessas outras idealizações tão mesquinhas e desimportantes. 

Para terminar, já que o assunto é idealizar... sonhar... tem também o projeto verão dos sonhos, que entra pra minha lista de projetos verão e que seria o mais incrível de se realizar! Meu projeto verão dos sonhos seria simplesmente... poder viajar no verão! Sabe férias de verão, igual tem em alguns países e todo mundo realmente pára de trabalhar??? QUE SONHO! Como esse projeto verão dos sonhos está muitíssimo mais longe de se concretizar do que o "projeto verão" (aquele de emagrecer), fico então com meu projeto verão possível com chuveirão, espreguiçadeira e uma cerveja gelada do lado ("projeto verão" do corpão vai pro saco mesmo). É o que teremos pra esse verão!

Beijos e boa semana - desta vez sem feriado - pra todos nós!

domingo, 15 de outubro de 2017

Vai com quem?

Vou sozinha, uai! Essa tem sido, há algum tempo, a resposta pra pergunta que dá título a esse post. Hoje estou com vontade de escrever e resolvi falar sobre um "drama" (entre aspas porque na real é uma bobeira) que eu e muitas mulheres enfrentamos em pleno século XXI... o fato de a sociedade não aceitar que uma mulher pode estar sozinha, viajar sozinha, ir pra balada sozinha, passar o fim de semana inteiro sozinha POR OPÇÃO! A parte os riscos a que uma mulher, estando sozinha, infelizmente está sujeita, qual o grande problema em fazer quase tudo sozinha? Pra mim não é problema, não! É solução! Textinho pra gente pensar bem antes de falar pra uma mulher: "ah, mas logo você encontra alguém"... e também para eu me preparar pra minha próxima viagem que - sim - vai ser sozinha!


A foto acima é de duas semanas atrás, voltando de trem de São Paulo, onde fui ver uma exposição e depois peguei um cinema... sozinha. O vagão estava vazio porque já era bem tarde, então eu estava sozinha em todos os sentidos da palavra "sozinha", por isso resolvi fotografar esse momento delícia. Eu adoro estar sozinha! Normal, né? Super normal. Só que não! Pra maioria das pessoas parece que, estar sozinho, é sinônimo de fracasso. Digo isso pelas coisas que ouço há pouco mais de um ano e meio, quando decidi me separar. Muita - mas muita gente mesmo - incluindo meu ex-marido, me disse: aposto que você tem outra pessoa, ninguém decide se separar pra ficar sozinho. O tempo mostrou que todos que me disseram - ou pensaram - isso estavam errados. Ficar sozinho pode ser sim uma escolha, por que não? Eis aí a pergunta que não quer calar.

Poderia escrever um textão sobre a sociedade patriarcal que pressupõe que toda mulher que está sozinha é porque foi rejeitada, mas vou poupar meus leitores já que este é um blog de viagem! E aí esbarramos em mais um entrave que é "mulheres que viajam sozinhas". Thanks God que, hoje, isso tem se tornado cada vez mais comum. Pipocam na mídia e nas redes sociais histórias de mulheres que caem sozinhas na estrada... mas sempre que leio esses relatos vejo que elas passam por muitas das situações e enfrentam muitos dos julgamentos aos quais eu - na minha pequenez e insignificância - também sou submetida. "Vai sozinha??? Você é louca???". Perdi a conta de quantas vezes já ouvi isso.

Sim, sou louca, obrigada. Ser "louca" pra mim virou elogio desde a primeira viagem internacional que fiz sozinha, ainda casada. Eu estava grávida de seis meses e fui sozinha pra Miami fazer meu enxoval. O relato dessa viagem está aqui. Foi incrível! Primeiro porque o universo subestima demais a gestante. É como se uma mulher grávida fosse uma mulher doente, incapaz. Isso me irritou MUITO na gravidez. Segundo porque viajar sozinha - num mundo em que a capacidade de uma mulher fazer absolutamente TUDO sem um homem por perto é frequentemente questionada - é como poder provar pra si mesma que o mundo está errado! Sim, você é capaz de tudo, não precisa de homem nem pra carregar as malas (e olha que eu voltei de Miami com MUITAS malas)!

Depois dessa experiência de arrancar olhares de reprovação por estar viajando grávida AND sozinha, recentemente vivenciei também o julgamento sem fim por viajar sozinha com a minha filha de 3 anos. Eu, ela e mais ninguém. Fomos para Bariloche, na Argentina, o relato está aqui. Num destino onde quase a totalidade dos turistas é formada por brasileiros, em sua maioria famílias tradicionais - com pai, mãe e filhos - ouvi muitas vezes a pergunta: mas você está sozinha com ela? Quem não perguntava, naturalmente procurava o "homem" que "faltava" ali do nosso lado. Imagino que, com os homens separados que viajam sozinhos com seus filhos, isso também aconteça, das pessoas perguntarem: cadê a mãe? Ainda assim não tenho dúvidas de que uma mulher dando conta dos perrengues de uma viagem sozinha com uma criança ainda desperte mais estranheza. 

"Estranheza", aliás, acho que é a palavra que define bem essa vida solitária. As pessoas não se conformam que você possa estar sozinha e feliz! No Ano Novo fui para o Rio de Janeiro sozinha. No Carnaval, idem. Sabia que haveria gente conhecida por lá, nos encontramos, fizemos coisas juntos, mas essencialmente eu estava sozinha. Lembro de, Carnaval, todo mundo andar em bandos pelas ruas e estações do metrô e eu - toda fantasiada - despertava mesmo essa "estranheza" por estar sozinha indo de um lado para o outro indo encontrar os amigos.

Amigos. Outra questão que mulheres "sozinhas" precisam lidar. Nessa fase dos trinta e tantos anos, a maioria dos amigos estão casados... e uma mulher sem um par vira um "problema". Entre as pessoas que estão num relacionamento sério, as "amigas" passam a te ver como uma ameaça. Afinal, você está sozinha, então É CERTEZA que você está querendo um homem e É CLARO que você vai dar em cima do homem dela. Nossa, que preguiça sem fim! Aí, entre os homens - pasmem - a mulher sozinha passa também a ser uma ameaça porque muitos - muitos mesmo! - julgam que você vai fazer a cabeça das outras mulheres para que elas também se separem e caiam na gandaia com você. É tanta preguiça junta que nem sei dizer. O fato é que estar sozinha também seleciona os amigos. Poucos ficam, aliás, pouquíssimos. Só os muitíssimo verdadeiros.

Bom, então cá estamos: poucos amigos e sem um homem ao lado. Não importa se essa é sua escolha, sua opção mais genuína. Você é vista como fracassada. Não esqueço que, há uns meses atrás, namorei um rapaz. Quando as pessoas souberam disso, o que eu mais ouvia era: "estou tãaao feliz por você estar com alguém"! "Que bom que finalmente você está namorando". "Que ótimo que você não está mais sozinha". Gente, estar com alguém é ótimo sim, mas antes de namorar eu também estava felicíssima sozinha! Mania de todo mundo achar que, se você está só, você está infeliz! Não! Ao contrário! Estar sozinha por opção - pra mim - é a maior demonstração de que você enfim atingiu um nível acima do amor! O amor próprio! A felicidade em estar consigo mesmo, sem depender de um terceiro pra estar feliz, pra mim é o apogeu. Porque fomos ensinadas, desde pequenas, a esperar um príncipe. E conquistar a auto-suficiência da felicidade é uma quebra de paradigmas que incomoda muita gente.

Por falar em incômodo, outra coisa que quem escolheu ficar sozinho tem que enfrentar são os infindáveis comentários imediatamente que seus ex-maridos ou ex-namorados ou ex-peguetes se envolvem com alguém. "Você viu, o fulano já está namorando com outra". "Olha a foto que ele postou com a namorada nova". "Olha onde eles foram". "Olha como ela é bonita". Que bom pra eles, né gente? Ou não! Nunca sabemos a real dos relacionamentos. Já está com alguém porque não consegue ficar bem sozinho? Ou pra ser aceito pela sociedade (sim, quem tem alguém é muito mais socialmente aceito)? Pra provar algo pra si mesmo? Tomara que não, tomara que seja amor genuíno porque amar alguém e ser amado é maravilhoso!

Opa que aí chegamos em outro ponto: das pessoas acharem que você está sozinho porque foi mal amado ou porque foi infeliz no amor ou porque nunca amou de verdade. Eu fui muito feliz no amor, já me senti muito amada, mais de um vez inclusive e acredito verdadeiramente no amor! Só não acredito no amor eterno - aquele que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". Acho que amor acaba, como tudo na vida. Muda, se transforma. Admitir isso foi, pra mim, um grande passo nessa viagem em busca do amor mais importante que existe, que é amar a si mesmo. Amar tanto a si mesmo a ponto de ter vontade de ficar sozinho. Eu estou vivendo apaixonadamente essa vontade que, sim, pode ser momentânea. É bom demais ter alguém e acho sim que um dia vou ter outra (s)  pessoa (s) de novo, aliás, eu tenho certeza disso, mas não tenho pressa.

Por enquanto, desfruto a delícia da minha própria companhia e estou planejando - comigo mesma - mais uma viagem sozinha, pro ano que vem. Mais uma pra quando me perguntarem: "Vai com quem"? Eu responder: "Vou sozinha, uai"! Não tem melhor companhia, não! Ah, mas se quiserem me convidar pra viajar, passear, tomar uma... aceito também!

Até mais! 😉




sábado, 30 de setembro de 2017

O gnomo do sr. Poulain

Moscou, Nova York, Atenas, Istambul e muito mais. Que inveja do gnomo do sr. Poulain, pai de Amélie Poulain, do aclamado filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"! Foi ele que me levou hoje até uma exposição fofinha sobre o longa em São Paulo e agora, que cheguei em casa, resolvi escrever sobre por que esse anão de jardim me tirou de casa nesse sábado chuvoso.



"São tempos duros para os sonhadores"... e como são, Amélie Poulain! A frase que mais amo do filme que dispensa apresentações aparece em muitas das telas da mostra "Desvendando o Universo de Amélie Poulain", que está no hall de entrada do Shopping Frei Caneca, na capital. Uma exposição pequenininha, que eu mal sabia do que se tratava, mas que só pelo tema já me chamou a atenção. Na verdade mesmo, depois que eu passei meu sagrado café preto ao acordar, neste sábado, comecei a procurar na internet algum cinema que ainda estivesse exibindo "Como Nossos Pais", que infelizmente não consegui assistir a tempo. Depois de uma busca rápida, vi que já não está mais em cartaz. Sendo assim, enchi de novo minha xícara de café, deitei na rede do meu quintal, olhei para aquele tempo cinza que fazia hoje cedo e pensei: quer saber, não tem o filme que eu queria, eu vou é ficar em casa. Foi quando a exposição de Amélie Poulain passou pela timeline do meu Facebook e eu logo me lembrei do "gnomo inspiração".

Para quem não assistiu - existe alguém no mundo que não assistiu a essa lindeza de filme? - o tal gnomo é uma estátua que faz parte do jardim do sr. Poulain, pai de Amélie. Depois da morte da esposa, ele mal sai de casa. Passa os dias cuidando do jardim onde criou uma espécie de mausoléu para colocar as cinzas da mulher. Certo dia, o anão de jardim some e o sr. Poulain passa a receber, pelo correio, fotos do tal gnomo em várias partes do mundo. O anão estava viajando! Na verdade isso não passou de uma ideia da Amélie para que o pai se desse conta de que até o gnomo podia viajar, sair por aí, aproveitar a vida! Por que ele não? Inspirado nisso, o sr. Poulain enfim deixa o jardim de lado e coloca o pé na estrada.

Quando lembrei da figura do gnomo e do quanto ele é inspirador, logo olhei para o meu jardim: grama alta, cheio de "maria sem vergonha" tomando conta de tudo, só esperando a visita do jardineiro porque eu não tenho - e nem tenho muita vontade de ter - o mesmo talento do Sr. Poulain pra jardinagem. Já a preguiça de sair de casa muita vezes empata com a do pai da Amelie, deve ser porque estou quase da idade dele 😂😂😂. Enfim, vi que estava rolando a exposição, também estava com vontade de ir ao cinema, de ir pra SP, então fiz como faço tantas vezes: procurei algum filme que também me interessasse, comprei o ingresso pro cinema pela internet para já ter dois programinhas na "cidade grande" ao mesmo tempo e fui. 

São Paulo é muito perto da minha cidade, Mogi das Cruzes, são cerca de 50 quilômetros apenas. Esse é um privilégio sem fim que não me conformo que tanta, tanta, tanta gente daqui não aproveite. Não precisa se planejar muito, dá pra fazer como fiz hoje: acordar, pesquisar e decidir. São Paulo é uma megalópole, tem de tudo, é incrível, mas pouca gente aproveita. "Ah mas é tudo caro". Mentira. Tem de tudo mesmo e pra todos os bolsos, basta não querer dar uma de sr. Poulain e só ficar em casa! Eu amo São Paulo. Talvez me irritasse se morasse lá, mas como vou só vez ou outra a trabalho ou para algum curso / palestra / evento profissional, encaro de boa os perrengues que toda cidade grande tem se for para me divertir. E para isso faço questão de ir pra lá sempre que posso.

Aí o choque: se é pra ir pra cinema, exposição, essas coisas ali na região da Avenida Paulista, gosto de ir de trem e metrô! Sim, a prova de que dá pra todo mundo ir da minha cidade conferir uma exposição de graça em SP quando der na telha é que você gasta menos de R$ 4,00 pra chegar lá. Falei em "choque" porque as pessoas do meu meio de convivência muitas vezes não se conformam por eu fazer isso, como se fosse um sacrifício absurdo andar de trenzão. Por que não ir de carro? Muitas vezes eu vou sim, mas se é pra ir pra lugar onde tem metrô próximo eu deixo o carro num estacionamento baratex que tem perto do Terminal Tietê e dali em diante sigo de metrô. Muito mais simples do que se enfiar de carro em lugares com muito trânsito e com estacionamento a preços astronômicos!

Hoje fui de trem e metrô. Na correria da vida, tenho pouco tempo pra ler por mais de uma hora seguida (sem dormir de cansaço no sofá) e se tem uma coisa que eu adoro é ler no trem. Coisa besta para algumas pessoas, meio "suburbana" talvez... mas eu adoro! Assim como observar as pessoas no trem. Perceber o que fazem, se estão apressadas, será que estão indo pro trabalho? Ou indo encontrar com alguém? Gosto de observar se lêem também ou se estão ouvindo música ou jogando no celular ou só olhando pela janela. Tem gente de todo tipo no trem e no metrô, isso é enriquecedor. Quem se espanta que eu goste de ir ocasionalmente de transporte público pra SP talvez não curta esse contato com a pluralidade da vida, das pessoas, dos lugares. Sou meio "Amélie" nesse sentido. Gosto de observar e imaginar... tanto que às vezes o livro que levo acaba ficando no colo e eu lá viajando na galera do trenzão.

Outra coisa que adoro em São Paulo é o fato de você poder ser quem você quiser, já que você é só mais um na multidão, ninguém dá a mínima para o que ou quem você é. Posso ir de tênis que ninguém vai reparar. Posso andar em qualquer lugar sem maquiagem que ninguém vai se dar conta. As pessoas vão conversar comigo aqui e ali por que querem, sem nenhuma pretensão de saber quem é minha família, qual meu sobrenome, por que eu não fui na super festa badalada da coluna social, etc, etc, etc. Mais um motivo para, sempre que possível, fazer esse rolê até São Paulo. O de hoje foi bem "paulistano" com direito a chuvinha que deixa São Paulo com a típica cara de "terra da garoa".

Por sorte, quando desci no metrô Consolação, não estava chovendo. Fui a pé de lá até o Shopping Frei Caneca, nunca tinha entrado naquele shopping, mas é uma região que gosto muito dos arredores. A exposição estava logo na entrada e, a princípio, dei uma desanimada porque ela é super pequenininha... mas aí olhando painel a painel, cada frase de Amélie Poulain, cada detalhe do filme que é tão lindo, achei ótimo relembrar tudo e reviver um pouco daquilo que a personagem nos diz em sua história. Tinha esquecido, por exemplo, da frase "Quando chega a hora, você precisa saltar sem hesitar". Isso é tão verdade! A mostra é fofa. Tem um saco de cereais daqueles que Amélie gostava de mexer, mais uma das coisas simples que ela nos lembra o quanto é prazeroso. Tem fotos do gnomo, tem as bolinhas de gude do sr. Dominique, é uma graça. Não vale uma ida a SP só pra isso, mas para quem estiver por aquelas bandas, a exposição vai até o dia 15 de outubro. Bom, depois da exposição eu ainda tinha o cinema (e cafés e passeio)!

Comprei ingresso pra sessão em outro shopping da região da Paulista, o Pátio Paulista. Quando saí do Frei Caneca pra lá, porém, estava chovendo bastante, mas aí tem o Uber que é um tudo na vida da gente e paguei R$ 9,00 pra ir de um shopping para o outro. Assisti "Mother" que eu pouco sabia do que falava, mas vi o trailer e gostei, suspense é meu gênero preferido e ainda tinha o Javier Barden. Que surpresa ao descobrir que se tratava de um filme super intenso, provocativo, perturbador! Jeniffer Lawrence está espetacular e o filme é muito reflexivo para quem está aberto aos questionamentos meio apocalípticos do longa. Acho que Amélie iria gostar! Iria assistir com aquele olhão arregalado que ela abre no cinema!

Também acredito que Amélie iria gostar de andar de trem... mesmo que fosse aqui, na minha quebrada. Cheguei tarde em casa, mas cheguei tão revigorada pela energia de São Paulo e pela inspiração por relembrar o gnomo viajante que até vim aqui escrever antes de dormir. Enquanto não tenho a sorte que o anão do sr. Poulain tem por conhecer tantos lugares ao redor do mundo, fico feliz por estar tão pertinho da maior cidade do país e por dar minhas fugidinhas pra lá de vez em quando. Ah, que o gnomo saiba que eu também já estive em Montmartre, Paris, no Café Deux Moulins, declarando minha admiração por Amélie Poulain! Quem sabe um dia eu volte para lá e para tantos outros cenários de filmes que sonho em conhecer!

😉 😊 💛






domingo, 24 de setembro de 2017

Minha estreia no Rock in Rio!

Nunca fui mega fã de nenhuma banda. Meu máximo de devoção por um grupo musical foi quando - aos 13 anos - assisti em VHS o show do Queen no Rock in Rio de 1985. Amei, pirei, apaixonei pelo Freddie, comprei CD's da banda na época, mas nada muito "grave". De resto curtia o que tocava na rádio, mas nunca soube direito qual cantor cantava o que ou quem era o vocalista dessa ou daquela banda (aliás, não sei até hoje!). Talvez por isso tenha ido em poucos shows musicais na vida e foi só nos últimos anos me deu um "comichão" pra ir no Rock in Rio. Não pelo "rock" em sim, mas pela história e pela vibe do festival. Então neste ano #eufui! Conto um pouquinho neste post!


Ainda em êxtase pós Rock in Rio, nem sei por onde começo a escrever. Fazendo aqui uma "retrospectiva" mental, acho que tem algumas coisas na vida que eu sempre pensei: "ah, Rock in Rio? Legal, tem a cada dois anos, qualquer dia eu vou". Só que aí a gente vai ficando velha, tiazona, passada do ponto... e algumas urgências começam a surgir! Minha urgência de Rock in Rio chegou em 2015, quando minha amiga Sandra foi e voltou me contando como tinha sido. Desde então estava decidida de que eu iria neste ano, não dava mais pra esperar!

Ao contrário de quem fica no aguardo do line-up pra saber o dia em que a banda preferida vai tocar, eu só esperava a abertura da venda de ingressos para garantir convite para qualquer data. Isso porque eu sabia que - em qualquer dia que eu fosse - encontraria o que estava indo lá conferir: música boa, animação e um mundo de atrações bacanas. Como a maioria das coisas que faço ultimamente na vida, eu iria sozinha, mas minha best friend forever Mariana - super fã do Bon Jovi - contou que havia comprado ingresso para o dia em que ele iria tocar. Melhor impossível! Não pensei duas vezes e comprei também! Já que não sou mega fã de ninguém, ele sem dúvidas era aquele que tinha mais músicas que eu saberia cantar.

Hoje em dia é muito fácil se programar para o Rock in Rio. Site, redes sociais, aplicativo, fui acompanhando tudo por esses canais. Mesmo assim, pra variar, a vida de adulta me deixou extremamente atribulada para fazer um bom "roteiro" pré festival. Então me preocupei apenas em comprar passagem aérea com bastante antecedência porque sabia que teria pouco tempo pra ficar no RJ e depois de velha tenho me dado ao luxo de evitar estrada. Consegui uma tarifa melzinho na chupeta pela GOL indo na quarta-feira a noite e voltando no sábado de manhã (meu ingresso para o Rock in Rio foi o de sexta-feira). Hotel eu simplesmente não pesquisei, fiz reserva no mesmo que minha amiga e o marido tinham reservado já que - segundo eles - era bem perto do Rock in Rio. Até cogitei algum passeio na quinta-feira, que seria meu único dia livre na cidade maravilhosa, mas vários fatores me fizeram desistir. Entre eles, o triste cenário de violência no Rio com a guerra deflagrada na Rocinha, que fechou acessos e deixou a cidade em um clima ainda maior de tensão.

Cheguei na quarta a noite e fui direto pra casa da minha prima que - de novo! - me recebeu por uma noite na casa dela. Daphne e Jonathan moram em Botafogo não só abriram as portas para mim como me deram um cartão de integração do transporte para eu me locomover. Lindos, fofos, queridos e ótimos companheiros para drinks sempre que chego lá! Google Maps me salvou e me fez chegar no meu hotel pegando metrô até o Jardim Oceânico e o BRT até Rio 2, perto de Jacarapeguá. Descobri que "Jacarepaguá é longe pra caramba" mesmo, como diz a música! Assim que me dei conta disso abortei inclusive a ideia de pegar praia na quinta, fiquei na piscina do hotel. Sempre penso assim: vai pro Rio no Rock in Rio? Foque no Rock! Vai pro Rio no Carnaval? Foque no Carnaval! Isso porque a cidade fica muvucada por conta desses eventos e qualquer tentativa de fazer turismo pode ser desgastante.

Sosseguei meu facho no eSuítes Verano Stay, um hotel muito bom que tem tarifa um pouco mais salgada do que estou normalmente acostumada a pagar. Sempre escolho hoteis mega simples por motivos óbvios de pobreza e porque nunca páro em hotel. Dessa vez foi diferente, hotel muito bom que só coube no bolso porque houve um acordo do Rock in Rio com hotéis próximos para garantir tarifas bacanas para o público do festival. Esse era um dos hotéis credenciados. Recomendo muito o Verano Stay para quem vai para o Rock in Rio, é na mesma avenida da Cidade do Rock, a menos de 10 minutos a pé.


O Festival!

Companheiros de Rock in Rio!
Os portões da Cidade do Rock abriram às 14 horas. Às 14 horas eu, Mari e Felipe (os melhores companheiros de Rock in Rio EVER, já que também queriam aproveitar simplesmente TUDO!). Fomos a pé do hotel e achei bem tranquilo aquele horário pra entrar, realmente muita gente chega mais tarde pra poder aguentar a maratona de shows... não nós que somos highlanders e seguramos do início ao fim! Claro que isso só foi possível com alguns cuidados como ter ido com roupas confortáveis, tênis... como se hidratar bastante... e não beber além da conta! Uma dica que li em muitos lugares e foi inútil: levar canga pra sentar ou deitar no chão e descansar. Talvez quando o Rock in Rio era em outros lugares isso fosse necessário, na Cidade do Rock a grama é sintética, super limpa, dá pra sentar direto sem precisar de canga fazendo volume na bolsa!

Um milhão de fotos antes de entrar

Fotos "oficiais" na fachada garantidas, a primeira parada foi no quiosque da Heineken, que também era vendida por "ambulantes" credenciados que - no início do festival - estavam por todos os lugares. Depois do início dos shows no palco Mundo eles tornaram-se raros e sempre eram seguidos por filas imensas! Com o primeiro chopp garantido, paramos no palco onde teria uma apresentação de street dance, mas o show estava atrasado, então só tiramos uma foto por lá pra gente "ganhar asas" e procurar outras atrações que já tivessem começado (sim, quem chega cedo passa por essas, das atrações ainda não terem começado!).

Muitos cenários para boas fotos!
Felipe correu pra roda-gigante para tentar fazer uma reserva pra nós subirmos mais tarde. A fila já era imensa! Por nada que eu perderia tempo em fila de roda-gigante em pleno Rock in Rio, pra isso tem o Hopi Hari na vida né? Hahahahah! Fomos pra loja oficial do Rock in Rio, não resisti e comprei uma camiseta! A loja estava lotada, mas ao contrário da fila da roda-gigante, ali fluiu rápido. Rápidas também eram filas para retirar brindes dos patrocinadores, mas era outro tipo de fila que não me animava a encarar, elas eram infinitamente imensas. Resolvemos andar por toda Cidade do Rock pra ver onde valia a pena investir nosso tempo primeiro.

O palco que mais curtimos antes dos shows principais

A vontade era parar em tudo, tudo é lindo e atrativo, mas os palcos com atrações musicais que já estavam rolando eram sem dúvidas prioridade. Paramos e ficamos no Rock District que estava simplesmente sensacional com uma banda tocando clássicos do rock. Assistimos o show inteiro, que seguiu com uma apresentação do grupo de dança do Rock in Rio e com um trio de violinistas que também fez um espetáculo sensacional, o nome era Tritony Trio. Só saímos dali porque já estávamos no Rock District há bastante tempo e ainda havia muito a conhecer. Passamos pelo hall da fama com os principais nomes que já passaram pelo Rock in Rio e fomos para a única fila que encaramos. Não lembro quem era o patrocinador, mas o espaço era uma cabine chamada Rock in Rio Sensations, onde projeções gigantes de vários shows eram feitas nas paredes e o clima ía mudando conforme a música, com vento, chuva, luzes, etc. Muito bem feito!



De lá fomos para o Gourmet Square, escolhemos o que parecia mais bacana (ou mais gordo, pra aguentarmos não comer até o final dos shows no palco Mundo). Era algo como "Ogro's burguer" que no fim das contas nada mais era do que uma carne maluca no pão de brioche hahahah estava bom, mas nada de mais. De dentro do Gourmet Square eu vi que o céu estava ficando avermelhado, a tarde começava a cair, deixei a Mari no meu lugar na fila pra esperar o lanche e fui fotografar o pôr do sol que fica lindo ao fundo dos palcos e roda-gigante, não é a toa que tem um palco que chama "Sunset", que é bem onde o sol se põe. Lindo, lindo! Apesar de que eu sou suspeita, já que sou louca por fins de tarde avermelhados como aquele que - além de tudo! - era o último do inverno. O contraste com as luzes que começavam a acender, o pessoal sentado na grama, a música ao fundo vindo de todos os lados, aaaaahhhhhh uma delícia entardecer já por lá. Mais um motivo pra ter sido ótimo chegar cedo.



Fim de tarde na Cidade do Rock, último entardecer do inverno!
Pôr do sol registrado, voltamos pro adorado Rock District onde estava rolando Evandro Mesquita, mas ele não cantou nada do que a gente a gente conhecia, ficamos pouco tempo lá porque estava pra começar O Grande Encontro no palco Sunset. Melhor coisa que fizemos na vidaaaa! Que show, que show sensacional dos tiozões do Grande Encontro! Não sei como é o Rock in Rio para os jovens mas para os idosos tipo eu é muito demais hahahahah! Dancei e cantei muito com Elba, Alceu e Geraldo. De lá, Mari e Fê foram para o palco Mundo onde iria começar Jota Quest e onde eles queriam ir se aproximando do gargarejo pra ver Bon Jovi de pertinho. Só que no Sunset a atração seguinte era Ney Matogrosso e Nação Zumbi, tipo, sensacional! Aproveitei que encontrei um amigo lá no meio da multidão e fiquei lá com ele e os amigos. Pensei que imagino que vou ter mais chances de ver outras vezes Jota Quest na vida - como já vi mais de uma vez - do que Ney Matogrosso! Valeu muito a pena, gostei muito do show, mas saí um pouco antes do final por motivo de xixi!

Do banheiro fui para o palco Mundo, onde até tentei chegar perto dos meus amigos, que já estavam no meio da muvuca em direção ao palco, assisti Alter Bridge (que não conhecia) sendo espremida por essa multidão, mas desisti de seguir tentando avançar! Como não sou mesmo muito fã de ninguém, achei mais vantagem pra mim ficar mais pra trás onde dava pra respirar, dançar, pra comprar "drinks" e conhecer mais pessoas, o empurra-empurra em frente ao palco é mesmo cruel, só pra super fã. Encontrei então outra amiga, a Karina, que estava por lá. Curti o restante dos shows do palco Mundo com ela, conhecemos gente de um monte de lugar do Brasil e lembrei o quanto sou privilegiada de morar em SP, tão perto do Rio, para poder fazer praticamente um bate-volta pra lá quando der na telha (telha = Carnaval e Rock in Rio my new love).

Palco Mundo durante o principal show da noite!

Dançar, beber, conhecer gente! Porque não precisa ser mega fã de rock pra ir no Rock in Rio!

Amei o show do Tears for Fears e do Bon Jovi também, dancei, cantei, pulei, me emocionei na queima de fogos linda do final! Reencontrei Mari e Fê depois que os shows do palco Mundo acabaram, aí comemos de novo, bebemos mais um tiquinho, tiramos mil fotos impublicáveis, rodamos em mais um monte de lugar que naquela altura do campeonato não tenho ideia do que se tratavam hahahaha! Algo que me lembro muito bem e que foi lindo pra fechar com chave de ouro foi uma fonte que tocava a música do Rock in Rio instrumental, linda como tantas outras coisas lindas e good vibes que vi por lá. Ah, assistimos - jogados na grama - o show de humor "Segue o Baile" que encerra as apresentações da madrugada. 

o
Rock in Rio pra mim: só coisa boa!
Atravessamos o portão da Cidade do Rock às 04h30! Que delícia! Foi exatamente como eu queria, como eu imaginava! Para 2019, #ficadica pra mim mesma: vou comprar dois dias de festival! Tem muita coisa lá dentro pra curtir, não dá pra ser num dia só! Acredito que dois dias inteiros lá seria sim o ideal para alguém com o meu perfil, mas neste ano foi isso que deu pra mim: sair da Cidade do Rock com o dia quase amanhecendo, tomar um banho, "curar" no big café da manhã do hotel e ir para o aeroporto pro vôo das 8h30. Será que em 2019 ainda vou ter esse pique? Tenho que ter! Experiência única que na certa vou repetir e que deixo a dica para quem costuma ler meu humilde blog: conheçam! Programem-se! Achei o festival super organizado, as atrações muito boas e música é música né??? Não precisa ser fã de carteirinha de ninguém - como eu não sou! - pra amar e curtir muito!

Agora vou dormir e sofrer porque não tenho mais nenhuma viagem marcada! Amanhã jogo na Mega Sena pra tentar reverter isso! Hahahahahaha que vida!

Até a próxima!